Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 28/03/2021

O conto “Sarapalha”, de Guimarães Rosa, ilustra a histeria coletiva causada pela epidemia da malária. Fora da ficção, as epidemias atuais, como a do “Coronavírus”, também provocam uma histeria no corpo social, uma vez que a negligência estatal, bem como as notícias falsas compartilhadas nas mídias sociais corroboram para o problema.

Em primeira análise, é relevante abordar que a negligência estatal é uma grave causa para o entrave. Para exemplificar, na pandemia do “Covid-19”, o estado brasileiro não se posiciona de forma coerente, visto que ora fala que não é necessário ter preocupação com a doença, ora expõe a gravidade do problema. Nesse sentido, a postura negligente do governo causa confusão na sociedade, pois, a partir das incoerências estatais, o corpo social fica histérico. Sob esse viés, o Estado se comporta como “Instituição Zumbi”, conceito de Bauman, por não cumprir sua função social de proteger ao invés de contribuir para o quadro histérico social nas epidemias contemporâneas.

Outrossim, a “Era das Fake News”, nas redes sociais, amplifica a situação. Sob essa ótica, Mário Cortella, filósofo brasileiro, afirma que poucos navegam na Internet, a maioria naufraga. Isso ocorre porque, nas mídias sociais, a disseminação de notícias falsas é amplificada, ademais, pela falta de conhecimento crítico, a população segue tais notícias. Consequentemente, nas epidemias atuais, as inverdades da Rede são um desafio relacionado à histeria social.

Mediante ao exposto, é necessário combater histerias, como a de “Sarapalha”, que acontecem na realidade. Dessarte, cabe ao Ministério Público exigir do Ministério da Saúde a criação de um programa, que pode se chamar “O controle de epidemias”, a fim de promover uma atuação “Não Zumbi” do Estado ao promover a informação verídica e combater a histeria coletiva. Esse programa deve ser feito por meio da divulgação de dados oficiais sobre a doença e sobre as formas eficazes de prevenção. Assim, os brasileiros irão “navegar” de forma segura em situações de epidemia.