Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 31/03/2021
Na Europa, durante o século XIX, foi descrito um fenômeno conhecido como “lisztomania”, que era caracterizado por um extremo frenesi gerado pelas apresentações do pianista e compositor húngaro Liszt, nas quais os fãs chegavam até mesmo a agir de forma invasiva e agressiva em relação ao artista. Em paralelo com a atualidade, é possível perceber que comportamentos de histeria ainda são presentes no âmbito social, principalmente quando se diz respeito a como são encaradas as epidemias contemporâneas, fator que causa diversos problemas, como a ansiedade gerada pela incerteza nesses cenários e a disseminação de notícias falsas.
Em primeira instância, é importante ressaltar que a histeria coletiva pode aumentar a ansiedade mediante as epidemias. É possível perceber um exemplo dessa realidade na música “We Lost The Summer” do grupo sul-coreano TXT, a qual foi escrita durante a pandemia do Covid-19 e reflete a falta de esperança do jovem eu-lírico quando este percebe que não tem controle sobre os acontecimentos e “perdeu uma parte de sua vida” por causa desses, sendo tudo um reflexo do cenário mundial pessimista. Assim, fica visível que a forma como se lida emocionalmente com as epidemias, mesmo sendo válida mediante aos acontecimentos que essas trazem, como mortes, medo e inseguranças, acaba causando uma reação em cadeia e prejudicando ainda mais o estado psicológico da sociedade.
Ademais, a disseminação de notícias falsas é outro desafio gerado pelo frenesi social que acontece quando se lida com epidemias. Um reflexo disso, por exemplo, foi a invenção, durante o período da Peste Negra, de que os judeus eram responsáveis pela disseminação da doença, o que gerou, inclusive, tortura e assassinato de parte dessa população. Esse fato só mostra que as pseudo-notícias, criadas em situações de instabilidade social e colapso da saúde podem piorar esses cenários, fazendo com que ocorra um desvio do foco principal: o combate a essas doenças.
Portanto, é visível que medidas devem ser tomadas para que os desafios relacionados à histeria coletiva gerada pelas epidemias modernas sejam combatidos. Para isso, o Ministério da Saúde deve promover uma melhora dos atendimentos gratuitos de psicólogos, por meio da destinação de verbas governamentais para a divulgação desse tipo de tratamento e para a criação de centros especializados nessa área da saúde, visando a maior adesão popular às terapias o que, consequentemente, prepararia melhor as pessoas para lidarem com situações adversas, como as epidemias. Além disso, é necessário que o Poder Legislativo aprove uma lei específica para o combate à disseminação de notícias falsas na internet e que, além disso, promova uma maior fiscalização dessas atividades, a fim de evitar que essas pseudo-informações causem uma maior histeria na população.