Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 21/10/2021

No início do século XX, eclodia no Rio de Janeiro, reformas sanitárias propostas pelo Poder Público, especialmente impostas à população de baixa renda. Nesse contexto, ocorreu, então, a Revolta da Vacina, permeada de pânico e desinformação. Diante disso, é evidente que no atual cenário brasileiro,  à histeria coletiva frente às epidemias contemporâneas, ainda se porta, infelizmente, como problemática no corpo social tupiniquim. Frente à essa senda, tem-se que à inobservância estatal em consonância com a desinformação social, são pilares fundamentais dessa discussão e precisam ser mitigados.

Em primeiro lugar, é fulcral ressaltar a ineficiência do Estado como precursor desse óbice na sociedade brasileira. Nesse viés, tem-se que: as escolas, que possuem papel fundamental na formação moral e intelectual dos indivíduos, não possuem o suporte necessário para incluir na Grade de aulas, temas relacionados as epidemias atuais e suas possíveis prevenções. Ou seja, as instituições de ensino, não oferecem disciplinas de Saúde Coletiva, pois, o Estado não repassa verbas suficientes para que haja contratação de professores especializados e ampliação de salas. Porquanto, a sociedade imersa nessa inaceitável lacuna escolar, emerge na ignorância, que, por conseguinte, resulta na histeria ante o tema supracitado. Dessa forma, o princípio básico da obra, ‘‘O Leviatã’’, de Thomas Hobbes: O Estado é o detentor das garantias dos direitos do cidadão, não é efetivado no Brasil, uma vez que, diante dos fatos apresentados, o Poder fere, constitucionalmente, o corpo civil.

Em segunda perspectiva, deve-se analisar, também, os efeitos da desinformação citada, na nação brasileira. Para isso, traça-se um paralelo a obra do dramaturgo José Saramago, ‘‘Ensaio sobre a Cegueira’’, onde o autor discorre sobre uma sociedade moralmente cega e alheia às problemáticas que a permeiam, e por conta de uma epidemia de cegueira metafórica, se afunda em caos e histeria. Nesse contexto, a verossimilhança entre o livro e a realidade é irrefutável, uma vez que, a desinformação ocasionada pelos óbices acima citados, permite que, por meio das mídias sociais, fake news sejam disseminadas tantas vezes quanto necessárias, até se tornar verdade coletiva. Desse modo, o caos acerca das epidemias hordiernas se aprofunda cada vez mais no corpo social brasileiro.

Visto isso, por fim, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Família, devem, por meio de protocolação no Ministério Público, órgão responsável por garantir os interesses sociais, solicitar a União, que forneça maior quota de verbas para as Secretarias de Educação. Isso deve ser feito, com a finalidade de garantir a inclusão, por meio de contratações e ampliação de estrutura, de aulas de Saúde Coletiva nas escolas, que devem ser ministradas por enfermeiros e auxiliares, desde o ensino básico. Assim, a sociedade, alvo principal dessa proposta, enxergará, enfim, a realidade com clareza.