Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 24/10/2021

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde é o estado de bem-estar completo, ou seja, físico, mental e social, não somente a não doença. A partir de tal afirmação, pode-se considerar que no momento em que ocorre uma epidemia, as pessoas não são afetadas somente pela doença que ocasionou tal surto sanitário, mas também por distúrbios psíquicos, desemprego e fome. Logo, infere-se que em um momento de crise, aumenta-se o desenvolvimento de problemas mentais advindos das dificuldades exacerbadas pela desigualdade social e crise financeira em que o país se encontra.

Sob tal aspecto, destaca-se a importância de não banalizar a saúde mental, visto que distúrbios psicológicos podem ocasionar doenças físicas. Nesse sentido, exemplifica-se tal fato a partir da pesquisa exibida pela rede jornalística BBC News Brasil, na qual o Brasil aparece em quarto lugar em relação aos países em que uma população entrevistada declarou que sua saúde mental piorou durante a pandemia ocasionada pelo CoronaVírus. Além do mais, durante a pandemia, muitas pessoas perderam entes queridos, fato que também colabora para tal problemática. Sendo assim, nota-se que a existência de epidemias é um fator que agrava de forma significativa a saúde mental da população, fazendo com que problemas como insônia, ansiedade e depressão sejam mais frequentes entre os indivíduos.

Outrossim, é irrefutável que as epidemias evidenciam as desigualdades sociais dos locais afetados. Em virtude disso, analisa-se dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos quais, atualmente, o Brasil possui mais de 19 milhões de pessoas em situação de fome e mais de 100 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar. Ademais, em 2021, a taxa desemprego e a inflação também aumentaram. Ou seja, que o Brasil é um país extremamente desigual não é novidade. Entretanto, com a crise sanitária gerada pela disseminação do CoronaVírus, tais problemáticas, já conhecidas, ficaram mais evidentes.

Portanto, é inegável que medidas devem ser tomadas para que durante as epidemias, as histerias coletivas sejam amenizadas. Para isso, o Ministério da Saúde deve disponibilizar psicólogos e psiquiatras gratuitos para a população, por meio de postos de atendimento popular. Bem como, o Ministério da Cidadania deve distribuir cestas básicas para a população da periferia, por meio de postos de distribuição em locais estratégicos. Tais ações teriam a finalidade de cuidar da saúde mental dos indivíduos, principalmente os de baixa renda e diminuir a quantidade de pessoas que estão em situação de insegurança alimentar. Por conseguinte, a afirmação da OMS seria colocada em prática e os indicadores que deixam o Brasil em posições preocupantes seriam diminuídos.