Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 27/10/2021
A Constituição Federal de 1988, documento que rege todo o ordenamento jurídico do país, prevê em seu 6° artigo, a saúde como direito de todos que deve ser assegurado pelo poder público. No entanto, a realidade prática não vigora como determinado teoricamente, visto que as epidemias – doenças que contaminam grande parcela da população de determinada localidade – como a dengue, no território brasileiro, não recebem atenção suficiente para que ocorra o controle das mesmas. Nesse sentido, percebe-se a configuração de um grave problema gerado pela desinformação e pela desigualdade social.
Convém ressaltar, a princípio, que a ausência de informações atua como fator determinante para existência da problemática. De acordo com o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu conhecimento sobre o mundo, ou seja, a ação do corpo social é delineada por seu entedimento. Por essa ótica, infere-se que as epidemias causam histeria na sociedade em geral, pois a baixa veiculação de notícias acerca dessas enfermidades deixa a comunidade civil vulnerável à contaminação, porque não sabem como se proteger. Em consequência disso, aumentam-se o medo e a ansiedade, o que denota necessidade de mudança desse quadro lamentável.
Ademais, a iniquidade de recursos também se configura como entrave no que tange à questão. Segundo o geógrafo brasileiro Milton Santos, em seu livro “As cidadanias mutiladas”, a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade da população, isto é, quando todos possuem os mesmos direitos. Seguindo essa lógica de pensamento, depreende-se que o país verde-amarelo é democraticamente ineficaz, pois a desigual distribuição de renda resulta em oportunidades diferentes. Por conseguinte, os grupos de condição econômica inferior são deixados à margem, uma vez que dispõem de menor acesso aos serviços, estando, assim, mais expostos às doenças.
Portanto, torna-se evidente que existem vários desafios no que diz respeito aos efeitos gerados pelas epidemias na sociedade. Para alterar essa conjuntura, é mister que o Governo Federal, aliado ao Ministério da Saúde – órgão público responsável por medidas no âmbito da saúde no Brasil – atue na criação de cartilhas educativas que demonstrem maneiras efetivas de proteção contra os agentes causadores de enfermidades. Essas cartilhas devem ser distribuídas em Unidades Básicas de Saúde, objetivando atingir, principalmente, as pessoas mais carentes economicamente. Dessa forma, espera-se que a histeria relacionada às epidemias se dissolva e que a Constituição seja devidamente cumprida.