Espetacularização da solidariedade na mídia
Enviada em 24/10/2025
Segundo Guy Debor, em A Sociedade do Espetáculo, o mundo virou uma vitrine, onde imagens e aparências valem mais que a realidade. Nesse sentido, a espetacularização da solidariedade na mídia, apesar de inspirar boas ações, se transforma em espetáculo, explora tragédias e busca autopromoção.
Em primeira análise, a espetacularização distorce o debate sobre as causas sociais. Nessa perspectiva, no ano de 2024, o Rio Grande do Sul, passou por uma grande tragédia, enchentes destruíram casas e ocasionaram mortes e a mídia ajudou a mobilizar doações. No entanto, tirou o foco dos verdadeiros culpados, da falta de investimento no planejamento urbano e do descaso do governo com o controle das adversidades ambientais.
Ademais, o grande alcance e o fácil compartilhamento de notícias nas redes sociais promovem a autopromoção e a exploração de tragédias. Segundo Steve Jobs, um dos fundadores da empresa Apple, a tecnologia move o mundo. Nesse contexto, com o avanço das tecnologias de comunicação, o acesso a notícias se torna amplo, emitido por diversas fontes. Diante desse cenário, a busca por mais visualizações, melhor engajamento e a promoção da própria imagem são cada vez mais crescentes em momentos de tragédia.
Portanto, medidas exequíveis são necessárias para mitigar a espetacularização da solidariedade na mídia. Para isso, é preciso que o poder legislativo regulamente leis que coibam a espetacularização de tragédias de forma sensacionalista. Além disso, grandes meios de comunicação devem se atentar a não mascarar os verdadeiros culpados ao passar notícias para o grande público e promover campanhas informativas sobre a importância do hábito de fazer doações, que devem ser abundantemente compartilhadas para que o ato de doar seja naturalizado e não forme “heróis” de tragédia. Desse modo, em médio e longo prazo, espera-se a mitigação do problema.