Espetacularização da solidariedade na mídia

Enviada em 21/10/2024

A soliedariedade é uma ação de compaixão para com alguém que a necessite de acordo com a dificuldade que ela está passando. Essa ação pode ocorrer de diversar formas, desde doações até mesmo uma conversa atenciosa, caracterizando um fim em si mesmo. No entanto, com a espetacularização midiática da soliedariade, ela deixou de ser um ato voltado para o próximo e se tornou para benefício e promoção própria.

Diante disso, cabe refletir sobre essa mudança que ocorreu em nossa sociedade. O filósofo contemporâneo Zygmunnt Baumann discorria sobre isso ao formular o conceito de modernidade sólida, dos tempos antigos com funções e obrigações sociais bem definidas, e modernidade líquida, a atual em que estes passaram a ser relativizados. Nesse cenário, a soliedariedade sólida era um bem realizado pelo indivíduo ou comunidade com o fito de atenuar as dificuldades vividas por terceiros, enquanto a líquida tornou-se moeda de troca: Fazer o bem em troca de vizualizações, cliques, seguidores e audiência. Infelizmente isso retira a importância de quem recebe o ato, deixando-o diminuído pois ele deixa de ser um fim e passa a se tornar o meio de alcançar o espetáculo.

Diante desse cenário, evoca-se o “Princípio da Fraternidade” da constituição de 1988: “A ação coercitiva do Estado não é suficiente para a resolução dos problemas, sendo necessária ação social para tal”. Esse princípio mostra-se demasiado importante no âmbito da soliedariedade pois essas ações são de caráter individual ou comunitário, como era realizado na modernidade sólida. Assim, uma vez que a sociedade retorne a realizar essas ações objetivando melhorar as condições de quem as recebe e despir-se da ganância de receber algo em troca, o receptor é adequadamente visibilizado e engrandecido.

Logo, a ação social altruísta denota como fazer soliedariedade sem diminuir ou invizibilizar indivíduos em situações de necessidade. Portanto as Prefeituras, sedes do poder executivo municipal devem financiar as associações comunitárias, núcleos de socialização, para que elas realizem campanhas de doação para pessoas em situação de vulnerabilidade, com o fito de aproximar a sociedade de uma soliedariedade altruísta, consoante ao “Princípio da fraternidade”.