Espetacularização da solidariedade na mídia

Enviada em 22/10/2024

Segundo Aristoteles “A solidariedade é uma virtude necessária para a experiência humana”. Logo, a espetacularização da solidariedade é uma cultura propagada nos meios midiáticos e deve ser analisada considerando: o espetáculo como uma ferramenta responsável pela coletividade e também os riscos que a superexposição pode ocasionar.

Diante desse cenário, a espetacularização de situações precárias é um meio de promover a coletividade social. De acordo com Guy Debord-filósofo francês-em sua obra “Sociedade de Espetáculo” os meios audiovisuais são ferramentas de dominação de massas, por meio da criação do sentimento de pertencer. Sob essa ótica, os veículos de comunicação ao retratar tragédias podem levar os espectadores à comoção. Assim, mobilizando grupos sociais a realizarem funções e estratégias a fim de, minimizar o problema espetacularizado pois, essas pessoas sentem-se inclusas na problemática. Sob esse viés, podemos relacionar o descrito com a tragédia do Rio Grande do Sul, ocorrida em 2024, que por meio da espetacularização da caridade os veículos midiáticos conseguiram comover as pessoas a realizarem doações para o local afetado.

Contudo, a superexposição da mídia pode ocasionar possíveis riscos. Diante disso, a espetacularização irresponsável e excessiva pode gerar prejuízos às pessoas noticiadas visto que, a divulgação da solidariedade pode ser feita de maneira desorientada em relação a proteção das informações pessoais dos indivíduos e acabar divulgando dados importantes como: localização, dados cadastrais, número de registro nacional…Segundo o IBGE, em 2022, cerca de 10% da população teve seus dados vazados por conta da exposição excessiva. Por conta disso, é de extrema importância realizar matérias solidárias de forma orientada e segura, para que o risco seja mínimo.

Logo, é urgente que a espetacularização da solidariedade seja norteada por regras. Dessa maneira, faz-se necessário que a Secretária de Informação crie normas regulamentadoras, por meio de documentos oficiais, para que a mídia brasileira realize a espetacularização da caridade de maneira segura para todos os envolvidos assim, garantindo a segurança informacional dos retratados.