Espetacularização da solidariedade na mídia
Enviada em 21/10/2024
Em 2024, o Rio Grande do Sul sofreu com enchentes catastróficas que forçaram milhares de pessoas a buscarem abrigos. Nesse sentido, o ex-BBB “Nego Di” compartilhou em suas redes sociais que iria doar milhares de reais para ajudar o Estado. Contudo, no mesmo ano, foi notificado que o comediante não havia mandado o valor referido e sim o equivalente a 100 reais. Sob essa ótica, é vital uma discussão sobre a espetacularização da solidariedade na mídia tendo como causa prima o capital e como consequência a objetificação de pessoas.
Antes de tudo, é míster destacar o motivo primário: dinheiro. Paralelamente, o texto “Anti-Narciso” salienta uma visão de mundo em que a formação do “eu” se dá também pelo conhecimento do outro. Sob essa ótica, há uma comoção geral por humanos em vulnerabilidade, uma vez que, assim como dito na obra citada, há uma empatia intrínseca ao humano. Consequentemente, esse sentimento é usado como força motora para alavancar audiência para os que vivem no holofote midiático. Dessarte, esse engajamento se converte em mais dinheiro de patrocinadores ao indivíduo supostamente empático.
Por conseguinte, existe uma despersonificação de sujeitos. Sob esse viés, cabe ressaltar o trágico episódio do apresentador Rodrigo Faro o qual, alegadamente, emocionava-se na televisão ao relatar a morte de seu amigo Gugu, mas achando que estava fora do ar, indagou como estava a audiência. Posteriormente, depois de ser perguntado sobre o incidente, relatou que no final das contas ele vive disso (IBOPE). Assim, é notória essa postura anti-ética de muitos influenciadores em se afastar da ideia do poema precitado e assemelhar-se a uma ideal egoísta que tem como único fim o interesse monetário e autopromoção.
Assim, sabendo que essa é uma condição que fere totalmente a ética e por isso deve ser combatida. Desse modo, o Poder Legislativo, Podeer do Estado , deve, por meio da criação e aprovação de uma lei, requisitar que empresas privadas midiáticas, como Instagram e Facebook, não permitam que seus usuários façam uso de autopropagandas falsas a respeito de ações solidárias, com o fito de que assim exista uma diminuição dessa desumanização de cidadãos. Dessa maneira, busca-se que casos como o de Nego Di não voltem a ocorrer.