Espetacularização da solidariedade na mídia
Enviada em 24/10/2024
Desde o Iluminismo entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a espetacularização da solidariedade na mídia, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não na prática, uma vez que as pessoas ajudadas não são o foco dessas ações. Dessa forma, convém analisar a busca por reconhecimento e a liquidez das relações como principais pilares da problemática.
A princípio, é fulcral pontuar que por trás da exposição das ações de solidariedade há uma busca por reconhecimento e aprovação das pessoas. Nesse sentido, em “Sociedade do Espetáculo”, Guy Debord defende que nas sociedades contemporâneas, há uma espetáculação da vida. Para o pensador frânces, os cidadãos são transformados em platéia passiva e as grandes questões sociais em imagens a serem consumidas. Esse conceito ajuda a compreender o atual cenário brasileiro espetacularizado, no qual a exposição das ações de solidariedade nas redes sociais se tornam em uma forma de engajamento. Dessa forma, fica evidente que o objetivo principal não é a causa ajudada, mas, sim, a divulgação da pessoa que prática a ação de caridade.
Outrossim, vale, ainda ressaltar que a liquidez das relações sociais impulsiona o problema. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é a característica da Modernidade líquida vivida no século XXI. Desse modo, a espetacularização da solidariedade na mídia afirma a fragilidade do convívio social, uma vez que as ações de solidariedade vêm
acompanhadas por camêras e acabam criando um cenário de exibição, no qual a pessoa que está sendo ajudada, por já estar em uma situação vulnerável, se sente no dever de aceitar ser gravada. Assim, o cidadão além de estar passando por uma situação difícil ainda fica exposto.
Portanto, medidas são necessárias para coibir o problema. Logo, a mídia, responsável pela promoção de informação, deve promover campanhas para alertar o povo sobre a necessidade de evitar a espetacularização das ações solidárias, por meio de debates sobre o assunto em canais de grande audiência, a fim de tornar a solidariedade somente no ato de bem ao próximo e não em espetáculo.