Espetacularização da solidariedade na mídia
Enviada em 24/10/2024
Na série norte-americana “The Boys”, o produtor faz uma crítica a manipulação da verdade pela imprensa, a fim de promover as falsas ações dos heróis protagonistas. Analogamente, nos dias de hoje, isso pode ser observado mediante a postura dos influenciadores digitais em expor seu altruísmo nas redes de forma espetacularizada, prejudicando a segurança digital dos usuários nacionais. Dessa forma, nota-se que o teatro midiático resulta do sensacionalismo de manchete e corrobora a cultura do cancelamento no ambiente cibernético.
Sob esse prisma, é primordial destacar o sensacionalismo digital como fator agravante para a sociedade do espetáculo. Nessa conjuntura, segundo o documentário “O Dilema das Redes”, as mídias sociais são responsáveis por prender a atenção dos usuários a partir do uso de mecanismos como a propagação de notícias tendenciosas, com o intuito de causar fortes reações nos receptores da mensagem. Nesse viés, os atos de serviço ao próximo são distorcidos na internet a fim de aumentar a audiência e alimentar a Indústria Cultural. Assim, na era da pós-verdade, as ações altruístas expostas online apenas mantém os indivíduos presos em uma bolha sociocultural que corrobora a manutenção do monopólio midiático.
Além disso, a solidariedade teatral também é alimentada devido ao medo da cultura do cancelamento. Em outras palavras, o filosófo Michael Foucalt definiu a microfísica do poder como uma rede que liga todos os indivíduos de um grupo mediante discursos. Com isso, quando um usuário não apresenta ações de altruísmo em suas redes, seus seguidores se unem para criticá-lo em uma reação em cadeia, prejudicando a reputação desses sujeitos pela inquisição de padrões socialmente preestabelecidos. Desse modo, a liberdade na mídia se torna seletiva, uma vez que as personalidades midiáticas selecionam suas atitudes - conforme delimita o ambiente cibernético - a fim de serem aceitos.
Com isso, notam-se as causas para a espetacularização da solidariedade na mídia. Portanto, cabe ao TCU (Tribunal de Contas da União) o investimento em instituições como o Ministério das Comunicações - órgão responsável por fiscalizar as redes de radiofusão - por meio do fornecimento de incentivos fiscais a este poder, para tornar a mídia um veículo de informação mais democrático.