Espetacularização da solidariedade na mídia

Enviada em 23/10/2024

A solidariedade, comumente, é utilizada como uma ferramenta que auxilia o al-

cance social. Nesse sentido, a espetacularização desse gesto na mídia é uma pro-

blemática recorrente, seja pela banalização dos aspectos humanitários, provocada

pelas redes sociais, seja pelo negligenciamento da vulnerabilidade das pessoas praticado pelo jornalismo.

De início, embora tenham sido criadas para auxiliar as interações humanas, as re-

des sociais banalizaram muitos gestos de sensibilidade. Nesse viés, o documentá-rio “O dilema das redes” destaca que há uma estratégia de psicologia que faz as curtidas dessas plataformas serem viciantes, por suprir o desejo humano de acei-

tação. Sendo assim, infelizmente, na busca por validação externa, é muito comum ver pessoas realizando boas ações de maneira superficial, apenas para divulgar, por estarem focadas apenas em conseguir curtidas. Além disso, quando autênticas, essas ações não precisam ser espetacularizadas, tendo em vista que o principal objetivo será proporcionar o bem ao próximo.

Ademais, ao aproveitar-se de momentos de sofrimento e vulnerabilidade, o jorna-

lismo negligencia os valores humanos. Nessa ótica, a obra “Sociedade do espetá-

culo”, de Guy Debord, apresenta a ideia de que muitas pessoas utilizam-se da soli-

dariedade com o intuito de promover a imagem e gerar lucro. De maneira análoga,

certamente, percebe-se a presença desse pensamento na atualidade, uma vez que

muitos jornalistas espetacularizam acontecimentos chocantes, como mortes, a fim

de conseguir alcance social e alavancar suas carreiras.

Em suma, as lideranças políticas do país (ativistas e estudantes) devem, por meio

dos canais de comunicação e de movimentos socias, reforçar a ideia de solidarie-

dade e destacar a importância da prática de atos autênticos, para que haja cada vez mais pessoas que os façam pensando, realmente, no outro. Também, essas lideranças deverão cobrar a existência de um jornalismo humano, a fim de haver respeito aos limites do próximo em suas matérias.