Espetacularização da solidariedade na mídia

Enviada em 28/10/2024

Em 2019 um grande apresentador da “TV do Rio Negro” foi condenado por ter sido o principal mandante dos assassinatos que fizeram o jornal “canal livre” ser aclamado pela eficiencia em notíciar terríveis crimes. Deste modo, infelizmente, a realidade brasileira apresenta semelhanças a esse fato, pois assim como esse programa jornalísticos milhares de pessoas são valorizadas por supostas ações solidárias. Nesse viés, torna-se fundamental a criação de medidas que busquem acabar com a espetacularização da solidariedade na mídia, um desafio impossibilitado pela alienação da população e pela crônica desigualdade social.

Diante do exposto, a despreocupação dos cidadãos em combater essa situação é um fato preocupante. Nesse sentido, segundo a filósofa , Hannah Arendt, a alienação de uma sociedade em não enfrentar terríveis problemas pode se agravar em graves chagas sociais. Com isso, o Brasil comprova a tese de Arendt , uma vez que a população se mostra indiferente em exigir gestos de solidariedade, como a doação de alimentos que não se fundamenta na valorização midiática oriunda dessas ações. Por essa razão, a apatia nacional assegura que apenas atitudes baseados no espetaculos sejam aceitas e aclamadas socialmente, desencorajando dessa forma atos de caridade que não tenham essa espetacularização.

Ademais, a desigualdade social é um sério agravante para esse problema. Nesse contexto, o renomado livro “Quartos de despejos”, evidencia como milhares de pessoas não possuem o acesso à moradia e alimentos. Com isso, devido a enorme disparidade entre a população nacional, pequenos atos de solidariedade como doação de comida e roupas acabam sendo altamente valorizados. Por consequência disso, diversas pessoas utilizam de gestos de caridade para se promoverem com base no espetáculo que essas ações provocam na mídia.

Portanto, é necessário criação de medidas que busquem acabar com a espetacularização da solidariedade na mídia. Nessa análise, é dever do Ministério da Educação e Cultura(MEC) responsável por construir o senso crítico dos cidadão, reformá-la a grade escolar, por meio da adição de novas disciplinas, a fim de conscientizar os alunos de como atos de caridade movidas apenas no espetáculo podem ser prejudicial para as pessoas que necessitam dessas ações.