Espetacularização da solidariedade na mídia

Enviada em 23/10/2024

O “Instagram” tem sido um veículo de mídia amplamente conhecido, na qual pessoas interagem entre si e trocam informações. Nessa plataforma, que na realidade mundial tem se tornado a fonte de renda de diversas pessoas, há uma enorme espetacularização da solidariedade, na qual indivíduos aproveitam-se das situações de fragilidade emocional ou social de algum indivíduo e aproveitam-se disso, utilizando tal situação para gerar conteúdo nas mídias digitais. Nesse contexto, a superficialidade das relações sociais e a falta de empatia corroboram para tal problemática social, afetando, principalmente, pessoas vulneráveis.

Diante desse cenário, fica evidente que, na contemporaneidade, as relações tem se tornado, progressivamente, supéfluas e instáveis. Nesse viés, o pensador Theodor Adorno, expoente da filosofia contemporânea, afirma que os indivíduos, na atualidade, tornam-se meros produtos da indústria cultural e do capitalismo, deixando de lado sua singularidade para integrar a estrutura dominante. Tal fato é evidente quando observa-se sujeitos que aproveitam de situações de vulnerabilidade de outrem para espetacular a solidariedade, ou, em outras palavras, tornar o sofrimento um produto, o qual obtém-se lucro através da mídia.

Além disso, tal conjuntura demonstra-se preocupante, pois os agentes sociais deixaram de exercer a ação solidária em função da empatia e amor ao próximo, e colocaram-a como um produto que pode ser vendido na mídia. Nessa ótica, esse cenário assemelha-se à teoria de banalidade do mal, criada por Hanna Arendt, pois um ato que seria uma demonstração de respeito e empatia, é banalizado ao ponte de ser uma forma de tornar-se famoso nas redes, mas até que ponto, em um futuro, humanidade falseabilizar-se-ão os sentimentos humanos para o ego?!

Diante dos argumentos supracitados, portanto, denota-se a necessidade de reflexão coletiva e individual sobre o rumo da humanidade e suas ações, principalmente no que tange às relações sociais. Desse modo, o Ministério dos Direitos Humanos, em conjunto com o Poder Legislativo, deve fiscalizar, por meio de investigações nas redes sociais e nos veículos de mídia, as ações de indivíduos que geram espetacularização da solidariedade, objetivando resonsabilizá-los e puní-los para que tais atos sejam combatidos, a solidariedade não é um produto.