Espetacularização da solidariedade na mídia

Enviada em 25/10/2024

A globalização ocorrida no século XX permitiu que os meios de comunicação fossem aprimorados, o que proporcionou à mídia maior alcance global. Entretanto, a imprensa utiliza essa influência em aspectos positivos e negativos no que se refere à espetacularização da solidariedade, visto que a caridade é incentivada ao mesmo tempo em que as fragilidades alheias são utilizadas como engajamento.

Nesse sentido, destaca-se o aspecto benéfico no âmbito social. Sob esse viés, a emissora Globo realiza o projeto anual Criança Esperança, em que celebridades se voluntariam para participar e, assim, atrair mais doadores monetários em razão de sua reputação e fama. Dessa maneira, o espetáculo colabora para a arrecadação de fundos por meio dos telespectadores que se sentem comovidos, o que permite que esse grupo infantil seja apoiado em questões de educação, saúde e bem-estar.

Outrossim, verifica-se o impacto maléfico desse fenômeno na vida de uma população. Nesse ponto de vista, é válido citar o quinhetismo brasileiro do século XVI, em que os colonizadores utilizaram do “argumento” da empatia como método de justificativa para escravizar os nativos ao alegar que eles não possuiam uma sociedade avançada. Desse modo, a dramatização da necessidade de “ajudar”, sob a ótica do europeu, culminou na exploração das comunidades originais em prol da “reputação” eurocêntrica, situação que ocorre analogamente na atualidade.

Portanto, a espetacularização da solidariedade deve ser realizada de forma responsável e saudável para que não haja aproveitamento da vulnerabilidade de qualquer indivíduo. Logo, é dever do Ministério da Cultura, por intermédio de campanhas em veículos comunicativos, em especial as redes sociais, realizar campanhas que promovam a participação do público em eventos beneficentes, com o objetivo de estimular o exercício da compaixão para com os necessitados. Além disso, é responsabilidade do Ministério da Educação, a partir de planejamento na grade curricular de sociologia, oferecer aulas sobre o tema abordado, com a finalidade de educar os alunos sobre a diferença entre a compaixação para com o proxímo e a manipulação de suas fraquezas em benefício próprio, o que permitirá que cenários como o da época da colonização não sejam mais reproduzidos.