Espetacularização da solidariedade na mídia

Enviada em 26/10/2024

Na tragédia que acometeu o Rio Grande do Sul em 2024, com fortes chuvas e alagamentos, diversos voluntários com espírito de solidariedade surgiram para ajudar às famílias acometidas. Contudo, nessas situações, têm se observado a presença de pessoas com outro intuito da promoção pessoal e de espetacularização midiática do acontecimento. Nesse contexto, faz-se imperioso analisar os fatores que favorecem esse quadro: o modelo de sociedade vigente e a influência midiática.

Vale ressaltar, antes de tudo, que o capitalismo é motor propulsor da espetacularização midiática. Nesse viés, de acordo com o sociólogo brasileiro, Jessé de Souza, o capitalismo é um sistema de governo que incentiva o seu povo a colocar o lucro acima de tudo. Assim, é compreensível que mesmo em uma situação de desastre, como o que aconteceu esse ano, a população vise obter vantagens econômicas sobre o sofrimento do outro. Dessarte, essa situação, antipática e crescente, não pode ser alimentada pela sociedade.

Ademais, o silenciamento da mídia de massa sobre o tema é condição impulsionadora do problema no Brasil. Nesse raciocínio, segundo o pensador da escola de Frankfurt, Theodor Adorno, o meio comunicativo age de acordo com seus interesses e tem o poder de produzir comportamentos nas pessoas do corpo social. Logo, a falta de informação sobre as atitudes antiética das pessoas, que espetacularizam momentos de angústias, tendem a formar mais cidadãos com essas posturas.

Portanto, o Governo Federal, responsável pelo bem-estar de todos, por meio do ministério da educação, deve promover campanhas de conscientização nas escolas sobre o que é empatia e solidariedade, a fim de mitigar ações de grupos que visem benefícios próprios. Paralelamente, a televisão deve incluir em seu horário nobre momentos de debates com essa temática. Assim, não acontecerá momentos como o vivenciado nas intensas chuvas do Sul do país.