Espetacularização da solidariedade na mídia

Enviada em 27/10/2024

O conceito de entropia, na física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das ciências da natureza, no que concerne à espetacularização da solidariedade na mídia, percebe-se a configuração de um problema entrópico. Essa afirmação advém do descaso estatal e da busca incessante por audiência. Com base nisso, mudanças serão necessárias para enfrentar esse desafio.

Dessa forma, em primeiro plano, é preciso atentar para o descaso estatal em relação às causas sociais, o que aumenta a dependência da população por ações midiáticas. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, “a fragilidade dos laços humanos se reflete na dependência de ações paliativas”. Nesse sentido, essa problemática encaixa-se perfeitamente nas palavras de Bauman, pois a omissão do Estado força a sociedade a recorrer à mídia, que exibe essas ações como entretenimento. Essa correlação fundamenta-se nas deficiências do Estado em garantir o básico para os mais vulneráveis, cuja omissão resulta em um cenário de desigualdade e exposição midiática. Por conseguinte, pode-se perceber a real dimensão dessa adversidade que vem assolando a nação brasileira.

Além disso, vale ressaltar a busca por audiência como um fator agravante da desvalorização das ações solidárias. Nessa perspectiva, o filósofo Pierre Bourdieu afirma que “o valor de um ato depende do desinteresse de quem o pratica”. Dessa maneira, observa-se as consequências da espetacularização, que esvazia o propósito genuíno da solidariedade em prol de visibilidade. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Infere-se, portanto, a necessidade de combater esses problemas agora. Por isso, é fundamental que o Ministério da Cidadania, em parceria com ONGs, invista em políticas públicas que reduzam a dependência da mídia na ajuda social, a fim de mitigar a superficialidade dessas ações. Sendo assim, uma ação imediata pode alterar o futuro das cidades brasileiras, promovendo segurança e dignidade para seus habitantes