Espetacularização da solidariedade na mídia
Enviada em 28/10/2024
Zygmunt Bauman defende que “não são as crises que movem o mundo, e sim nossa reação a elas”. Entretanto, não é possível encontrar uma reação interventiva na questão da espetacularização da solidariedade na mídia. Logo, deve-se traçar estratégias para mitigar as causas do problema: a inoperância estatal e a banalidade do mal.
A princípio, é válido apontar a banalidade do mal voltada para a espetacularização da solidariedade. Nesse sentido, conforme Guy Debord, A sociedade vive em um verdadeiro espetáculo, uma vez que todas as ações precisam estar na mídia. Dessa maneira, urge que o real propósito da filantropia não pode ser alcançado na era digital,pois, grande parte dos influenciadores utilizam uma causa nobre como fonte de renda e engajamento, visto que por tratar de um assunto delicado, como pobreza e fome, rapidamente, torna-se viral e ,consequentemente, traz dinheiro aos envolvidos. Por conseguinte, é fucral erradicar tais práticas que naturalizam essa adversidade.
Ademais, cabe citar que o descaso governamental é outro agravante dessa problemática. Dessa forma, segundo John Locke, esse cenário configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o Estado não garante os direitos básicos, como saúde e alimentação, das vítimas das novelas solidárias e nem os protege desse show. Por conseguinte, uma vez que o país não preserva o bem-estar social,os mais necessitados ficam incapacitados de recusar as gravações, dado que precisam do auxílio prestado para saciar a fome. Logo, é inadmissível que essa nebulosidade continue a perdurar.
É necessário, portanto, que medidas sejam realizadas para solucionar esse imbróglio. Logo, cabe ao governo federal, como principal responsável pelo bem-estar dos seus cidadãos,garantir, por meio de um projeto de lei, a proibição da monetização dos vídeos de foco solidário, a fim de respeitar os direitos à dignidade das vítimas dessa falsa ação social. Além disso, é dever da mídia, como principal formadora de opinião, alertar, através de propagandas, as irregularidades dessa prática, evitando assim, a banalidade desses shows. Desse modo, a população reagirá as crises, mudará o mundo e respeitará o contrato social.