Espetacularização da solidariedade na mídia
Enviada em 01/11/2024
O documentário “O Dilema das Redes” examina como as redes sociais criam condições para que o reconhecimento online tome o lugar das intenções genuínas, afetando até mesmo as causas solidárias. Analogamente, a espetacularização da solidariedade na mídia é um fenômeno crescente que reflete diretamente na transformação da solidariedade em um evento visível e admirável, perdendo a essência de empatia autêntica. Logo, é essencial examinar as implicações da temática e sobre a importância de ações desinteressadas para a harmonia social.
Mormente, é imprescindível destacar a relevância de entender que a espetacularização da solidariedade pode ajudar na promoção de causas sociais, mas ao ser explorada pela mídia, tende a se tornar um produto de consumo. Nesse viés, cabe mencionar o sociólogo Zygmunt Bauman que em sua obra Modernidade Líquida, analisa como uma sociedade centrada na visibilidade, os valores se tornam líquidos e passageiros, inclusive a compaixão. Em sua perspectiva, essa visão da solidariedade midiática, frequentemente efêmera, pode ser mais uma demonstração do que um compromisso verdadeiro com o outro, levando a uma cultura de superficialidade. Destarte, em vez de incentivar a empatia duradoura, as redes sociais acabam enfatizando a recompensa da fama para quem as realiza.
Ademais, esse tema influencia as expectativas sociais em relação ao comportamento solidário, gerando um efeito de comparação. Sob essa ótica, o filósofo Guy Debord em A Sociedade do Espetáculo, argumenta que a imagem tornou-se central para definir o valor das ações na sociedade moderna. Para Debord, a solidariedade é transformada em espetáculo que se converte em um ato de validação pública em vez de uma expressão altruísta. Dessarte, ao criar uma concorrência pelo título de “mais solidário”, o ato de ajudar o outro perde parte de seu valor moral, reduzindo-se a uma estratégia para melhorar a própria imagem.
Em suma, o Ministério da Comunicação deve implementar a concepção que ajudar o outro não é algo que se deve ser idolatrado, mas sim um dever de todos dentro da comunidade, por meio de redes sociais e jornais. Dessa maneira laços serão fortalecidos entre a sociedade e consequentemente será ampliado o valor da empatia. Sendo assim, será propagado um cenário diferente do documentário.