Espetacularização da solidariedade na mídia
Enviada em 01/11/2024
Em 2024, no sul do Brasil, ocorreram enchentes que devastaram diversas famí-lias, e todo o país se mobilizou para ajudá-las. Em virtude disso, pessoas má-inten-cionadas utilizaram a tragédia para promover a própria imagem nas redes sociais, através da espetacularização da solidariedade na mídia. Dito isso, é possível associ-ar esse fenômeno à falta de empatia e à ausência de reflexão na sociedade.
Deve-se destacar, primeiramente, que o individualismo é uma característica da “sociedade do espetáculo”. Nesse contexto, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, o conceito de modernidade liquída explica a queda das atitudes éticas pela fluídez dos valores, a fim de atender aos interesses pessoaiés. Ou seja, os indivíduos não se importam em expôr quem está em situações precárias, enxergando esses seres hu-manos como um caminho para atingir os próprios objetivos. Logo, a falta de empa-tia está diretamente relacionada com a exposição da solidariedade.
Além disso, a falta de reflexão também contribui com a espetacularização em ci-ma de tragédias. Sob essa ótica, em “O mito da caverna”, Platão contrasta dois indí-viduos: um que resolve buscar outras perspectivas e outro que prefere continuar em sua zona de conforto. Desse modo, aquele que não saiu da caverna permane-ceu alheio aos problemas sociais, tal como ocorre com os indivíduos que optam por não refletir acerca das problemáticas de suas ações. Assim, a ausência de pon-deração acerca da solidariedade na mídia contribui com a sua perpetuação.
Portanto, sobre a espetacularização da solidariedade na mídia, é necessário que o governo federal promova campanhas para conscientizar a população acerca das problemáticas existentes por trás desse fenômeno. Isso será possível através de propagandas nas redes sociais - onde se encontra a maior parte dos indivíduos que promovem a prática - que objetivem diminuir as publicações que exponham a vul-nerabilidade de outros em pról do engajamento. Dessa forma, será possível rever-ter a modernidade liquída prevista por Bauman.