Espetacularização da solidariedade na mídia
Enviada em 29/06/2025
Em tempos de boom das redes sociais, um antigo problema ressurge sob novas roupagens: a espetacularização da solidariedade na mídia. Fenômeno já presente nos tempos áureos da televisão brasileira nos anos 1990, ele agora se intensifica com a lógica digital, na qual gestos de ajuda se transformam em performance. Nesse cenário, torna-se cada vez mais difícil para a população discernir se figuras públicas — tanto da mídia tradicional quanto das redes sociais — expressam emoções genuínas ou se utilizam da dor alheia em busca de likes, seguidores e audiência.
Em primeiro lugar, é preciso destacar a intenção por trás desses episódios tão comuns na mídia brasileira. Trata-se de uma estratégia que usa a empatia como isca para gerar lucro: quanto mais atenção e audiência essas ações recebem, mais oportunidades comerciais surgem. Como disse Karl Marx, “as ideias dominantes de uma época são as ideias da classe dominante”, o que mostra que a forma como a solidariedade é apresentada reflete interesses econômicos, e não apenas vontade de ajudar.
Dentro dessa lógica, não faltam exemplos concretos, que vão de casos pontuais a quadros inteiros de programas famosos. Em 2019, durante a cobertura da morte de Gugu Liberato, Rodrigo Faro chorou diante das câmeras e logo em seguida perguntou à produção: “como está a audiência?”. Situações assim se repetem há décadas, deixando no ar a dúvida: há empatia verdadeira ou só atuação disfarçada de boa ação?
Diante disso, é fundamental que o Ministério da Educação, em parceria com escolas públicas e privadas, promova a educação midiática nas salas de aula, por meio de debates e oficinas sobre ética na comunicação. Essa medida ajudaria a formar cidadãos mais críticos e conscientes sobre o uso da empatia como ferramenta de manipulação. Assim, seria possível construir uma sociedade que valorize a solidariedade verdadeira, não o espetáculo.