Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 01/09/2019
Segundo o geógrafo Milton Santos, o simples nascer investe o indivíduo de uma soma inalienável de direitos. Todavia, ao se analisar a atual conjuntura da sociedade brasileira, nota-se que o direito à cidadania é violado, haja vista a precariedade de acesso ao esporte. Esse problema é causado, sobretudo, pela mercantilização. Diante desse cenário, promover mobilizações sociais parece ser um caminho viável à superação desse paradigma.
A princípio, convém destacar que a mercantilização é uma das principais causas do acesso precário à prática esportiva no Brasil. Nesse contexto, mercantilizar significa atribuir um caráter privado a um bem público. Tal ato é incentivado pelo Estado, mediante os escassos investimentos em esportes. Assim, objetiva-se convencer o povo da suposta incapacidade estatal de garantir serviços públicos de qualidade, a fim de estimular a mercantilização e favorecer os interesses financeiros do empresariado. Por conseguinte, determinados espaços de atividade física restringem-se às classes abastadas, perpetuando a exclusão cidadã.
Consequentemente, o direito à cidadania é violado. Destarte, embora seja prevista pela Constituição de 1988, a prerrogativa que assegura representatividade a todos os brasileiros é “letra morta”, conforme alerta o sociólogo Thomas Marshall. Essa afirmação justifica-se pela ineficiência do texto supracitado em combater, na prática, a precariedade do acesso ao esporte, já que o percentual de escolas públicas com quadra esportiva corresponde a menos da metade do de escolas privadas. Logo, a concepção de Milton Santos acerca de direitos inalienáveis é relegada.
Portanto, medidas de combate à mercantilização esportiva e à exclusão cidadã devem ser implementadas. Para tanto, ONGs devem promover uma mobilização populacional. Essa ação pode ser realizada por meio de fóruns de discussão com a participação de professores de Educação Física voluntários. A finalidade é fomentar protestos que pressionem o Estado a efetuar maiores investimentos na democratização do acesso aos esportes.