Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 04/09/2019
Durante o governo de Getúlio Vargas o esporte feminino era proíbido legalmente, haja vista o conceito da ‘‘fragilidade’’ da mulher ser disseminado culturalmente, impedindo-as de competir no ramo. Nesse viés, apesar de atualmente o esporte ser democrático, a insuficiência de incentivos financeiros e educacionais facilita a depreciação e a segregação existentes no âmbito esportivo do Brasil. Logo, a utilização dessa feramenta como fomento da cidadania acaba negligênciada pela União.
Em primeira análise, pontua-se que a responsabilidade majoritária do descaso com o esporte no país advém do Poder Público, visto que a falta de recursos investidos nesse setor é perceptível. Afinal, apenas cerca de 30% das escolas públicas possuem quadra de esportes, de acordo com o site G1. Sob essa ótica, nota-se que, desde o ensino de base, a importância da educação fisíca é desprezada pelas autoridades, assim, a prática de esportes torna-se elitista, pois a falta de acesso das camadas sociais mais pobres permite o ciclo vicioso da exclusão nesse ambiente.
Além disso, ressalta-se que a discrepância entre a vizibilidade esportiva masculina e feminina são recorrentes no país. Exemplo disso é a transmissão midiática da Copa do Mundo Feminina que só foi inserida na TV aberta em 2019, ao contrário da masculina já presente nos canais abertos. Portanto, apesar da Constituição Civil garantir a equiparidade de cidadania entre gêneros, percebe-se uma realidade contraditória, no qual perpetua-se o inacesso das minorias de forma igualitária no esporte.
Diante dos fatos supracitados, é necessário que a União, junto ao Ministério da Educação, invista na criação de mecanismos de incentivo esportivo em todas as instituições de ensino públicas, com o auxílio de verbas do Produto Interno Bruto. Posto isso, quadras esportivas, piscinas, entre outros, serão disponibilzadas aos alunos no intuito de estimula-los, desde cedo, a atividade esportiva. Só assim, a longo prazo, o esporte será culturalmente inserido na sociedade e a democracia de acesso ao mesmo será fundamental na garantia da cidadania a todos.