Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 06/09/2019

Nascida em Alagoas e de família pobre, Marta da Silva, a melhor jogadora de futebol do mundo – de acordo com a FIFA –, recebeu auxílio financeiro para praticar o esporte quando tinha catorze anos de idade e, por isso, pôde iniciar sua carreira. Assim como a alagoana, muitos outros jovens de baixa renda recebem incentivos financeiros para a prática esportiva profissional, que, de maneira semelhante às bolsas acadêmicas, constituem a fronteira entre desenvolvimento e atrofia do potencial individual. Por isso, entende-se que esporte e cidadania estão juntos na construção da sociedade brasileira.

A princípio, o poder transformador do esporte profissional na vida dos jovens é suficiente para mobilizar programas governamentais que estimulem sua prática. O álbum “Sobrevivendo no Inferno”, pelos Racionais MC’s, retrata as consequências retalhadoras da negligência do Estado nas periferias e a construção de um sistema baseado na violência. Sob essa perspectiva, incentivos governamentais em prol do esporte são uma forma de resgatar os jovens brasileiros e de canalizar a efervescente indústria esportiva nacional – que cresceu cerca de 30% em 2018, de acordo com a Rede Nacional do Esporte – para impulsionar a economia do país. Assim, é possível compreender a magnitude desses investimentos sobre a sociedade brasileira, por redirecionar o futuro dos jovens atletas e, consequentemente, da cidadania no cenário atual.

Além disso, o imaginário social que envolve a prática esportiva é importante para seu desenvolvimento. Devido à perceptível e intensa melhora no estilo de vida de um futebolista, por exemplo, foi construída a imagem de um caminho “fácil” a ser percorrido a fim de altos ganhos salariais e, infelizmente, esse fenômeno contribui para a desmoralização do esporte, além de iludir jovens aspirantes. Por isso, é importante corrigir tal julgamento e ressignificar a prática esportiva, que, igualmente a quaisquer outras áreas de trabalho, “requer prática e disciplina para seu aperfeiçoamento”, como é discutido pelo jogador de basquete Michael Jordan, em sua autobiografia.

Portanto, é necessário o incentivo do Estado à prática esportiva profissional, por meio de investimentos em programas de auxílio financeiro – como o Bolsa-Atleta, criado em 2004 – e em infraestrutura, como equipamentos, equipe médica qualificada, técnicos e treinadores e bons espaços para o treino, a fim de melhorar a qualidade de vida dos atletas. Ademais, também é essencial a atuação das escolas no conjunto esporte-cidadania, através de palestras com desportistas, enfatizando a importância da profissionalização e do respeito dentro do trabalho esportivo, e de investimentos em quadras poliesportivas, com o objetivo de inserir a atividade atlética no cotidiano dos alunos. Com isso, será possível transformar a realidade de muitos jovens e promover a cidadania no cenário brasileiro.