Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 12/09/2019

Os Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, tinham objetivo de mostrar a “superioridade ariana” alemã; no entanto, os verdadeiros astros foram afrodescendentes americanos, como Jesse Owens. Assim como neste episódio, no Brasil o esporte também pode atuar como formador de identidade, inspirando cidadania, além de contribuir para a diminuição da criminalidade.

Primeiramente, é importante frisar o poder do esporte na formação de uma identidade coletiva. Um retrato disso foi a gradual inserção de negros e mulatos na participação de jogos de futebol no Brasil: Pelé, Romário, Cafu, são apenas alguns dos exemplos de negros que conseguiram admiração nacional por conta de competições futebolísticas. Nesse sentido, a diversidade étnica promovida pelo esporte forma um sentimento benéfico de cidadania - inspirada pelo respeito - tanto para os espectadores, quanto para os atletas.

Além disso, é preciso salientar a intensa capacidade do esporte de transformação e ascensão social. Desta forma, jovens que praticam alguma atividade esportiva, competem, e traçam metas, estão menos propensos à tentações do mundo do crime, situação mais recorrente em favelas e . Sendo assim, é imprescindível a seguridade no acesso de jovens ao mundo esportivo. Ademais, no Brasil, segundo dados do Inep 2009, apenas um quarto das escolas públicas destinadas ao ensino fundamental possuem uma quadra de esportes. Isso mostra a falta de interesse do Estado na exploração do poder do esporte, como ferramenta de diminuição da criminalidade.

Em suma, é indispensável a adoção de medidas que visem a garantia de acesso ao esporte, principalmente em comunidades de maior índice de criminalidade. Sendo assim, é dever do Ministério do Esporte, em parceria com o MEC, a ampliação do número de quadras de esportes em escolas públicas e regiões carentes. Somente assim, será possível garantir que novos “Jesses Owens” surjam, reafirmando sua identidade e cidadania.