Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 15/09/2019

O filme “Um sonho possível”, de 2009, relata a história do adolescente Micheal, o qual abandona uma rotina delinquente após ser adotado e começa a dedicar-se ao futebol americano. Nesse sentido, a narrativa foca nas melhorias disciplinares que o garoto obteve ao se firmar na modalidade esportiva, tais como: a conquista do respeito, coletividade e ascensão social. Fora da ficção, esse cenário de formação cidadã por meio do esporte encontra graves obstáculos no cotidiano brasileiro e tornou-se um problema governamental, visto que – seja pela ineficiência estatal, ora pelo preconceito popular – impede o combate de adversidades na sociedade e permite que indivíduos continuem em condições vulneráveis.

A princípio, cabe analisar o papel ineficiente do governo sob a visão do sociólogo britânico Thomas Marshall. Segundo o autor, os direitos civis, políticos e sociais devem ser oferecidos aos cidadãos para que ocorra a construção da cidadania. Analogamente, o atual poder público contradiz esse pensamento ao promover poucas políticas coletivas de incentivo ao esporte como formação social, as quais, frequentemente, oferecem baixos investimentos em parques públicos e não conseguem difundir a prática esportiva como saída de um contexto desvalorizado. Por consequência, o país tende a possuir mais dificuldades para combater problemas sociais, como o afastamento de jovens da criminalidade.

Ademais, além da ineficiência estatal, o preconceito popular também corrobora na problemática e convém ser contestado sob a perspectiva da filósofa alemã Hannah Arendt. Segundo a autora, a sociedade sustenta práticas deploráveis simplesmente por não analisar a repercussão desses atos. Desse forma, no momento em que parte da população idealiza que o esporte é apenas uma forma de lazer e não um caminho para a construção moral e profissional, essas pessoas consolidam atos preconceituosos e impedem o uso das atividades físicas como forma de mobilidade social. Logo, observa-se obstáculos para as modalidades esportivas desenvolverem seus papeis de igualdade e cidadania,o que torna incomum o progresso de indivíduos que estão em situações precárias.

Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, o Ministério do Esporte, por meio de verbas públicas, deve ampliar programas esportivos pelo país, de modo a investi em locais comunitários, com foco maior em favelas e cortiços, que estimule a atividade física como saída de cenários desfavorecidos. Dessa forma, será possível facilitar o combate a problemas sociais e garantir que o meio esportivo contribua na formação cidadã. Além disso, a mídia digital, por meio de postagens nas redes sociais, deve divulgar vídeos de cidadãos que conquistaram profissões e valores morais pelo esporte, a fim de desconstruir o preconceito e divulgar que a prática esportiva também permite melhorias de vida, assim como a ocorrida no filme “Um sonho possível”.