Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 16/09/2019

Desde a criação do Ministério do Esporte, em 1998, a atividade esportiva ganhou destaque como ferramenta de alto potencial para socializar indivíduos das mais diferentes classes no Brasil. Entretanto, observa-se que parcela relevante das crianças e jovens se encontra distante da formação cidadã proporcionada pelo esporte. Com isso, urge refutar as causas desse impasse, como a falha estrutural escolar em simetria com o escasso incentivo familiar à esportividade, a fim de estimular uma maior abrangência esportiva na sociedade brasileira para a construção da cidadania.

Em primeira instância, ressalta-se que a escassez de espaços escolares destinados à educação física prejudica a inserção de valores sociais aos alunos. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas, somente 26,8% das escolas públicas do ensino fundamental possuem quadras esportivas. Nesse cenário, constata-se que os estudantes de mais de 70% da rede escolar estão isentos de atividades esportivas  devido à ausência de local apropriado. Nesse ínterim, a falta de prática esportiva minimiza a produção de uma série de princípios que beneficiam os participantes, como respeito às regras e o trabalho em equipe. Logo, a deficiente estrutura escolar nacional interfere no desenvolvimento da sociabilidade através do esporte.

Paralelamente a isso, sobressai o sedentarismo herdado como empecilho a ser superado  para que o esporte atue na formação do cidadão. De acordo com Émile Durkhein, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de coercitividade, exterioridade e generalidade. Seguindo essa linha de pensamento, a falta de atividade física encaixa-se na teoria do sociólogo, haja vista que se uma criança cresce em uma ambiente onde os pais passam horas do seu dia no celular e não desempenham nenhuma atividade corporal, ela tende a atribuir os mesmos hábitos por causa da vivência em grupo. Logo, o esporte se torna distante na vida de muitos jovens mediante o reflexo de familiares inertes.

Destarte, entende-se que o deficiente espaço escolar somado a um espelho familiar desfavorável prejudica o acesso à cidadania construída pelo esporte na sociedade brasileira. Assim, emerge-se que o Ministério do Esporte em parceria com o Ministério da Educação, por meio da liberação de verbas, promova a construção de quadras escolares para as unidades desprovidas, com o intuito de aumentar a participação esportiva. Ademais, compete aos professores, mediante palestras, incitar a importância do esporte na fase infantojuvenil para os pais, com o objetivo de maximizar o incentivo familiar na prática esportiva. Desse modo, o impacto da atividade física sobre o desenvolvimento social dos brasileiros será, gradativamente, reconhecido.