Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 19/09/2019
No filme “Invictus”, protagonizado pelo ator Morgan Freeman, retrata-se, num país marcado pela segregação racial, a utilização do esporte como ferramenta social de união e superação de preconceitos. Fora da ficção, embora carecedor de maior investimento e engajamento político, o esporte na sociedade brasileira apresenta cada vez mais sua capacidade de influenciar positivamente a vida das pessoas, propagando valores como resiliência, respeito e disciplina. Nesse sentido, sob esses aspectos, considerando a relevância do assunto, urge do Estado e da sociedade civil enfrentarem o tema.
Em primeira análise, é indubitável que o papel do esporte extrapola os inegáveis benefícios para a saúde dos praticantes, apresentando-se como oportunidade para aproximação da sociedade ao exercício da cidadania. Nesse sentido, o exemplo de êxito profissional e a ascensão social proporcionada pela prática esportiva criam ídolos positivos, como o jogador de futebol Pelé, que mesmo tendo origem humilde deu representatividade para parcela da população, transformando-se em inspiração para muitos. Portanto, é necessário que o esporte seja estimulado no Brasil, sob o olhar de uma atividade capaz de dar esperança, educar, afastar da criminalidade e inserir no convívio social pessoas até então marginalizadas.
Ademais, segundo George Orwell, o esporte deve ser visto como uma guerra sem armas. Assim, apropriando-se do pensamento do ilustre escritor inglês, infere-se que a prática esportiva deve sempre ser estimulada pelo Estado e considerada como uma ferramenta poderosa na luta contra a violência, a marginalização e as demais mazelas sociais, buscando um contexto de participação, representatividade e educação. Por conseguinte, considerando o protagonismo estatal na luta contra desigualdades e instrução da sociedade, é necessário que haja esforço político para garantir que os investimento necessários sejam realizados e que cada vez mais o esporte possa influenciar a vida dos brasileiros. Evidencia-se, portanto, a necessidade de uma nova abordagem ao tema. Assim, caberia ao Estado, numa ação coordenada pelo Ministério do Esporte, contando com o envolvimento do executivo municipal, estipular investimentos semestrais mínimos na área do esportes, que respeitem a viabilidade de funcionamento de projetos que serão previamente selecionados pelo Estado, em atenção ao seu potencial transformador. Logo, com envolvimento social e participação estatal, realidades de êxito e transformação social pelo esporte, como aquela retratada no ficção estrangeira, serão cada vez mais presentes na sociedade brasileira.