Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 27/09/2019

O filme “Um sonho possível” retrata o poder transformador do esporte na vida de um jovem em um situação vulnerável. Fora das telas, no cenário brasileiro, o acesso às práticas esportivas notabiliza-se por uma inexpressiva realidade a qual estão sujeitos os cidadãos. Essa circunstância desafiadora evidencia a ineficiência de setores da administração pública e a participação insatisfatória de uma parcela considerável da sociedade civil em prol de democratizar o esporte para além da escola.

Em uma primeira análise, cabe pontuar que a insuficiência de ações governamentais interfere na garantia social de participação dos desportos. Conforme os objetivos de desenvolvimento do milênio das Nações Unidas, criar meios para tornar uma sociedade inclusiva é crucial para o mundo sustentável e resiliente. Entretanto, nos espaços urbanos do país, verifica-se a exiguidade de projetos sociais voltados não só para o público idoso, mas também para portadores de deficiência. Tal situação adversa contribui para a exclusão de grupos sociais das modalidades esportivas, já que pode inviabilizar a promoção de habilidades motoras e cognitivas.

Outrossim, cabe destacar que a atuação frágil das iniciativas privadas colabora para o escasso suporte no setor esportivo em áreas de vulnerabilidade. Segundo Michel Foucault, sociólogo francês, existem inúmeras formas que as instituições sociais influenciam seus indivíduos. Nesse sentido, o empresariado ao exercer sua influência, através do capital financeiro, pode cumprir com sua responsabilidade social, visto que viabiliza a ascensão de projetos atuantes na formação esportiva de crianças e adolescentes em comunidades de baixo poder aquisitivo.

Em vista dos argumentos apresentados, a fim de corroborar a democratização de práticas desportivas como ferramenta social, assim como no filme, são essenciais medidas para amenizar a problemática no Brasil. Para tanto, o Ministério da Educação em conjunto ao Ministério da Cidadania deve  intensificar investimentos em políticas públicas para a população senil,pessoas com deficiência, por meio da reestruturação de prioridades orçamentárias, a qual possam ser fomentados programas sociais elaborados por fisioterapeutas e educadores físicos, nas praças públicas, com o fito de integrar tais grupos às atividades físicas. Ademais, o setor privado - consciente de seu dever - cabe investir nas universidades brasileiras, nos departamentos de Educação Física, no escopo de destinar recursos para programas de extensão que beneficiem a juventude em locais marginalizados.