Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 01/10/2019

O esporte no Brasil  nem sempre foi universal, e sua participação ao decorrer da história está relacionada com a construção da democracia e da cidadania. À exemplo, durante o governo de Getúlio Vargas no Estado Novo, o futebol feminino foi posto na ilegalidade, balizado no argumento de ir contra a natureza e aptidões da mulher. Essa lei, que privou as mulher da construção da sua subjetividade, e as colocou em patamar de submissão na sociedade, deixa evidente a atuação do esporte como colaborador da cidadania. Em discordância com esse período, na atualidade vigora a Constituição Federativa de 1988, na qual afirma que todo cidadão é livre para escolher e exercer suas atividades. Conquanto, ao analisar a sociedade, nota-se que a exclusão ao esporte apesar de não mais legislada, se faz presente e, portanto, remediar os fatores que propulsionam esse quadro é imprescindível.

Primordialmente, é necessário ressaltar o esporte como importante ferramenta na construção da individualidade. De acordo com o filósofo Sartre, em sua teoria existencialista, são as experiências vividas e adquiridas ao longo da existência do indivíduo, que forma sua essência. Nesse sentido, a escolha de um esporte além de moldar a subjetividade de cada cidadão, forma indivíduos que convivem bem em sociedade, visto que a cooperatividade e respeito são práticas do meio esportivo. Entretanto, principalmente em comunidades carentes, presencia-se certa privação ao esporte representada através da precaridade das quadras poliesportivas públicas e dos poucos investimentos em projetos sociais, fazendo com o que o indivíduo adquira experiências e molde sua essência em outras circunstâncias.

Outrossim, é preciso elucidar o esporte como mecanismo de inclusão e ascensão social. Conquanto, mesmo quando o patamar do profissionalismo e do prestígio social é atingido, nota-se que certos grupos ainda possuem sua cidadania diminuída. À exemplo, o Brasil possui a melhor jogadora do mundo e, seu salário não chega à 1% do salário do jogador que carrega esse mesmo título, porém do gênero oposto. Esse gesto, é uma representação simbólica da ainda não atingida igualdade de direitos entre os gêneros, mesmo quando afirma-se  existir um campo democrático no esporte.

Nesse sentido, indubitavelmente, medidas são necessárias para que o esporte no Brasil seja mais inclusivo e cidadão. Como citado, o esporte é fundamental na formação individual e na transmissão de valores para o bom convívio em sociedade, sendo a Educação Física componente curricular obrigatório da Educação Básica. Assim sendo, cabe aos Governos Municipais a restauração e manutenção das quadras esportivas dos colégios públicos, para que as aulas possam ser praticadas com dignidade. Ademais, o Poder Legislativo deve deliberar uma lei que proíba salários diferentes entre gêneros para a mesma modalidade, respeitando as mulheres profissionalmente, mas também, como cidadãs.