Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 04/10/2019

Brás Cubas, defunto-autor de Machado de Assis, diz, em suas “Memórias Póstumas”, que não teria filhos, a fim de nunca ter de transmitir os legados das misérias humanas. Analogamente, o convívio social frágil na contemporaneidade e a falta de esperança de indivíduos marginalizados no Brasil, enquadram-se no posicionamento da personagem, entretanto, esses desafios tendem a ser mitigados pelo esporte e cidadania na sociedade brasileira. Assim, é necessário discutir os aspectos políticos e socais da questão, em prol do bem-estar social.

A priori, é importante destacar como se encontram fracas as relações interpessoais e o papel do esporte para reverter a situação atual. Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a sociedade atual vive um período denominado “Modernidade Líquida”, caracterizado por vínculos sociais frágeis e rasos. A esse respeito, o esporte torna-se fundamental para o fortalecimento dessas relações, tendo em vista que, a prática de atividades físicas demandam cooperação entre os participantes e baseia-se em confiança e lealdade. Em suma, o esporte na sociedade brasileira é um solidificador dos vínculos sociais que se encontram fragilizados, como descrito por Bauman.

A posteriori, é substancial discutir como o esporte é uma fonte de esperança para indivíduos marginalizados. Nesse sentido, Marta, jogadora de futebol, tornou-se um exemplo a ser seguido, tendo em vista que, mesmo nascendo em uma família humilde, conseguiu graças ao esporte sair da margem da sociedade e conquistar cinco vezes o título de melhor jogadora do mundo, prêmio entregue pela Federação Internacional de Futebol (FIFA). Nesse contexto, é notório a importância que o esporte tem, sendo uma forma de alavancar a vida de pessoas marginalizadas, que se encontram desesperançosas na atualidade.

Dessa forma, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço de problemas que a falta de esporte e cidadania acarretam no Brasil. Com o intuito de solidificar as relações sociais e para que mais pessoas saiam da margem social, urge que o Estado, especificamente o Ministério da Educação e Cultura (MEC) desenvolva, por meio de verbas governamentais, o incentivo a atividades físicas desde a juventude, promovendo disputas amigáveis entre colégios, onde serão competidas as mais diversas modalidades esportivas, visando integrar o máximo de alunos distintos possíveis. Dessa maneira, a sociedade irá tornar-se mais justa e coesa e deixará uma legado que Brás Cubas se orgulharia em transmitir.