Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 05/10/2019
Segundo a teoria sobre a Ética da Discussão, do filósofo e sociólogo alemão Habermas, o diálogo é uma forma de amadurecimento e evolução da sociedade. No entanto, quando se observa o esporte e a cidadania, no Brasil, atualmente, verifica-se que esse ideal do diálogo é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste interiormente ligada à realidade do país, seja pela discriminação e o preconceito, seja pela desigualdade social. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.
A princípio, vale ressaltar que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a desigualdade social rompe essa harmonia. Tendo em vista que, os cidadãos de classe média baixa não tenham acesso a todos os seus direitos previstos na constituição de 1988, pois não tem acesso fácil à educação de qualidade, ao lazer e veem o esporte, principalmente o futebol como uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional, porém existem muitas dificuldades no meio social em que vivem, o que complica a sua inclusão.
Outrossim, destaca-se o preconceito e a discriminação como impulsionadores do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que as pessoas que moram em morros e comunidades, sofrem diariamente ofensas por pertencerem a tal lugar, pela cor da pele, jeito do cabelo entre muitas outras coisas, e esses indivíduos com o estado financeiro da família, muitas vezes entram para o mundo das drogas e do crime pela falta de oportunidade existente no país. Como consequência, a sociedade está ficando cada vez mais defasada intelectualmente, por meio dos discursos com ideia de superioridade.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem um mundo melhor. Assim sendo, o Governo, por meio do Ministério da Educação e da Cidadania, em conjunto com ONGs e comunidades, implementem projetos que tem como objetivo unir o esporte aos estudos, melhorar a saúde e o rendimento escolar dos alunos. Além disso, é de suma importância o desenvolvimento de espaços esportivos dentro das comunidades e escolas, a fim de que com isso, os indivíduos exerçam seu papel de cidadão, tenham oportunidade e sejam inclusos no âmbito social independentemente das diferenças, como diz Paulo Freire: “Se aprende com as diferenças e não com as igualdades.”