Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 02/10/2019

A obra cinematográfica “Rocky: um lutador”, expõe, de início, as dificuldade do boxeador amador Rocky Balboa de conseguir reconhecimento e ascensão econômica, estagnado na classe trabalhadora de Filadélfia. Nesse contexto, observa-se proximidade para com a realidade brasileira, a medida que o esporte esteja inviabilizado, por meio de entraves, como ferramenta de inclusão social, o que impede sua prática inclusiva, sobretudo pela negligência estatal e pela indiferença da sociedade quanto à real importância para a formação do indivíduo.

Em primeira instância, a inércia governamental tem bloqueado caminhos que promovam o esporte na educação básica. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman conceituou, em sua obra “Modernidade Líquida”, as “instituições zumbis”, entidades que perderam sua função social, mas mantém - a qualquer custo - sua forma. Nesse sentido, a indisponibilidade de quadras esportivas nas escolas públicas e em bairros periféricos do país encaixa o Estado Democrático e de Direito na caracterização de Bauman, de modo que a ausência de estruturas básicas impedem  a formação inicial do atleta e o incentivo ao interesse no esporte.

De outra parte, a sociedade esportiva do Brasil encontra objeções nas fracas políticas públicas  sociais, no que concerne á adesão da sociedade. Nesse viés, o modelo Toyotista - instaurado no século XX - tem como uma de suas prioridades a valorização do produto final, em detrimento de todo o  processo necessário para sua construção. Analogamente, evidencia-se a valorização do resultado de  competições esportivas e os ganhos dos atletas em supremacia às etapas necessárias para a formação do atleta, o que implica na indiferença da sociedade para o trabalho necessário de inclusão e preparo.  Com isso, enquanto a população brasileira se mantiver omissa para o reconhecimento do esporte, a  inclusão social será comprometida.

Destarte, urge a primordialidade de que o direito constitucional ao desenvolvimento nacional seja assegurado no esporte. Para isso, cabe ao Ministério Público Federal, junto ao Ministério da Educação, inserir nas instituições públicas o projeto Esporte e Inclusão, que permita a inserção do esporte na vida dos estudantes, moradores de regiões periféricas, com pouco acesso e incetivo ao esporte, por meio do direcionamento de profissionais pedagógicos e educadores físicos, com o intuito de garantir, desde a educação básica, o acesso à prática esportivas e inserção no meio social. Desse modo, o esporte torna-se-á ferramenta de inclusão social e seu reconhecimento será efetivo na sociedade brasileira.