Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 04/10/2019
No filme brasileiro ‘‘Aldo- Mais forte que o mundo’’, é contada a história real do lutador José Aldo que encontrou, através do esporte, uma forma de superar sua infância e adolescência marcadas pela pobreza e pela violência. Similarmente, o esporte e a cidadania na sociedade brasileira são importantes agentes de formação de cidadãos dotados de direitos e deveres. Entretanto, o Brasil é um país deficiente no investimento esportivo devido a elitização dos esportes, que como consequência marginaliza crianças e jovens.
Em primeira análise, o esporte no brasil não é colocado como direito de todo cidadão, mas como privilégio da elite. Conforme o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), em média 75% das escolas, públicas do fundamental, não possuem quadras de esportes, dado no qual revela que mais da metade das crianças de classe baixa não possuem o direito ao esporte, nem nas próprias escolas. Diante disso, a prática esportiva como promoção da cidadania só é desfrutada pela população de alta renda, que possui o amplo privilégio de escolas dotadas de áreas esportivas e aulas pagas de esporte.
É importante pontuar também, que a consequência da carência de esportes como promotores de cidadania, para jovens de classe baixa, é a marginalização dos mesmos. Acerca disso, é pertinente trazer o Artigo 227 da Constituição Federal, no qual afirma que é dever da Sociedade e do Estado assegurar que crianças e jovens tenham o direito à educação, ao lazer e à convivência comunitária, além de colocá-los a salvo de negligencia e discriminação. Assim sendo, promover o esporte seria certificar que crianças e jovens desfrutassem de todos os pontos do Artigo 227, uma vez que é direito de todos. Desse modo, a ausência da eficácia dos direitos dos jovens provoca a marginalização, visto que, sem cidadania o jovem na maioria das vezes é levado à violência e à criminalidade.
Portanto, diante das causas e consequências do esporte e da cidadania na sociedade brasileira, fica clara a importância de assegurá-los como direito de todos. Faz-se necessário que o Ministério da Educação e o Ministério do Esporte coloquem o artigo 227 em prática, melhorando as condições das escolas públicas com reformas e construções de áreas esportivas e com professores de educação física de qualidade, a fim de esses jovens de baixa renda possam usufruir de seus direitos ao lazer e à cidadania de forma mais igualitária e justa. Por sua vez, cabe às ONGs que usem mais do esporte para a inserção social, em comunidades carentes, por meio de projetos com atividades esportivas gratuitas, para que jovens de periferias tenham a oportunidade de praticar esportes, desenvolver a cidadania e de fato resgatá-los da marginalização.