Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 06/10/2019

De acordo com o sociólogo francês Emile Durkheim, a coesão social é fundamental para o desenvolvimento do grupo, pois é fruto da consciência coletiva em torno de um bem comum. Diante desta perspectiva, poucos elementos são tão coesivos quanto o esporte, o qual a prática une pessoas de todas as raças, credo, cor, todas em busca dos valores positivos agregados ao desporto, como solidariedade e ética. É fato que a sociedade brasileira ainda investe pouco no esporte, com uma pífia infraestrutura para a prática deste ou mesmo a ausência de uma legislação que garanta direitos para aqueles que desejam seguir a carreira profissional na área, profissionais que podem contribuir para a difusão da cultura esportiva no Brasil.

Primeiramente, é impossível desenvolver a prática de atividades corporais sem uma estrutura adequada. Isto é decorrente da falta de investimento no setor, que pode ser verificada no fato de que menos de 25% das escolas brasileiras tem quadras poliesportivas, segundo a Secretária do Esporte. Isto leva a elitização desportiva, pois somente os mais abastados podem praticar as mais diversas modalidades, configurando a exclusão social e impedindo a coesão social. Portanto, os jovens mais vulneráveis deixam de adquirir virtudes positivas que o esporte poderia trazê-los, estas, segundo o filósofo grego Aristóteles, são um hábito e conquistadas com o tempo e não surgem do nada.

Em segunda análise, o país carece de legislação própria que norteie ações na área esportiva ou que estimule a carreira de atletas. Por exemplo, na atualidade, só o futebol tem leis que o regulem, como a Lei Pelé, de 1998. Diante disso, os outros esportes continuam na marginalidade, sem incentivos para que crianças e adolescentes busquem ser profissionais na área. Este aspecto é bastante negativo, pois é sabido que o desporto promove união, verificável com a Copa do Mundo, evento acompanhado pela quase totalidade dos brasileiros. Assim, na ausência de profissionalização, a grande maioria dos esportes continuam sem destaque e interesse para os jovens brasileiros.

Consoante exposto, o esporte é peça-chave da sociedade coesa proposta por Durkheim e faz-se mister uma maior atenção na área. É papel do Congresso Nacional, juntamente com a Secretaria do Esporte criar o Estatuto do Atleta, conjunto de diretrizes que garantam a profissionalização de atletas e que também fomentem o setor no geral, como o estabelecimento de orçamento mínimo, como já ocorre na área de Saúde e Educação. Concentrando a atenção no tema, seria possível mostrar que a sociedade nacional preocupa-se com esporte e reconhece este como ferramenta de mudanças sociais, o que pode aumentar consideravelmente o contato entre os diversos extratos da população brasileira e, assim, a união reivindicar um país melhor através da conexão entre cidadãos.