Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 08/10/2019
Na Antiguidade Clássica, as pólis da Grécia Antiga, como Esparta e Atenas, possuíam divergências políticas e sociais, com frequentes conflitos entre elas. No entanto, durante as Olimpíadas -evento esportivo entre as cidades- a paz reinava entre os povos, e o esporte unia as diferenças, demonstrando sua importância para a sociedade. Século mais tarde, no Brasil, o esporte repete seu papel social, porém ainda encontra empecilhos na ausência de incentivos governamentais e privados.
Nesse sentido, em primeiro plano, é importante salientar a importância do desporto no âmbito social. Sob essa ótica, não só os benefícios físicos devem ser evidenciados, como também a melhoria na concentração, empatia e sociabilidade do indivíduo. Em concomitância, Aristóteles disserta sobre o caráter social e político do homem. Nesse ínterim, milhares de jovens pelo Brasil encontram na prática esportiva, sobretudo no futebol - símbolo do país -, seu processo socializante. Como resultado, diversos projetos sociais nas periferias do país afastam os jovens do tráfico de drogas e promovem uma nova perspectiva de futuro, criando um sentimento de pertencimento nacional.
Entretanto, em segundo plano, vale especificar que a falta de desvelo governamental e da instituições privadas são fatores que impedem esse processo satisfatório no país. Acerca desse ponto, Ary Rocco, presidente da Associação Brasileira de Gestão Esportiva (ABGE), em entrevista ao jornal “Exame”, afirma que, apesar de constar na Constituição Federal a necessidade da priorização de recursos para as escolas; no país, a maioria dos investimentos estão concentrados em eventos esportivos e na preparação de atletas de alta performance. Ademais, a recente supressão da campanha “Bolsa Atleta”, que previa incentivos privados para os competidores, também corroboram para esse cenário. Nesse sentido, o papel teórico do Estado como provedor do bem-estar social, defendido por Rousseau, em sua teoria contratualista, não é efetivamente concretizado na prática, impedindo que milhares de crianças e jovens sejam beneficiados com o exercício desportivo e, consequentemente, com a participação social.
Fica claro, portanto, que a ausência de incentivos financeiros às praticas físicas no país são um empecilho para a cidadania de jovens marginalizados. Destarte, é papel do Ministério do Esporte, por meio da gestão correta das verbas, aumentar a porcentagem de incentivos em escolas, com a garantia de aulas obrigatórias de educação física, bem como quadras e equipamentos para as práticas. Outrossim, é papel do Congresso Nacional, por meio de uma lei, garantir benefícios fiscais as empresas que investirem em projetos de cunho esportivo para que haja melhoria do ramo no país. Feito isso, participação social se fará presente no cotidiano brasileiro, assim como acontecia na Antiguidade.