Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 10/10/2019

Sísifo brasiliensis

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Assim, todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo, era vencido pela exaustão, então a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana dos cidadãos brasileiros, que buscam ultrapassar as barreiras às quais os reparam do direito de acesso ao esporte de qualidade. Nesse contexto, convém analisar o papel fundamental do Estado e sua conduta perante a situação.

A princípio, a Constituição Cidadã de 1988, garante o esporte de qualidade como direito de todos e dever do Estado, sendo o compromisso deste, promover o acesso igualitário e universal às ações e aos serviços para sua formação e proteção, todavia, o Poder executivo não efetiva esse direito. Assim, vale ressaltar a lógica de Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, no qual disserta que a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo, verifica-se que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil, à medida que urge políticas públicas prol aos esportes, uma vez que, trazem maiores qualidades de vida, unindo lazer e saúde.

Ademais, no tocante à precária presença de acesso ao esporte, adentra-se na problemática social. Por exemplo, nas áreas periféricas é onde o jovem se encontra mais a margem da sociedade, assim, faz-se necessária a intervenção do Estado para diminuir a vulnerabilidade nesses locais, conforme a Lei de Incentivo ao Esporte nº 13.726/2018. Outrossim, destaca-se as práticas esportivas como fundamento intrínseco aos hábitos saudáveis, bem como é notório seu potencial de sociabilidade entre os indivíduos. À vista disso, valores podem ser reproduzidos por intermédio da inserção do esporte nas camadas populacionais, tal como, a moral, a ética e até a competitividade para a construção do ser social.

Ante o exposto, debruçar-se sobre esse impasse é indebutável. Portanto, cabe ao Executivo Federal, por meio do Ministério da Educação, investir para impulsionar o poder de atuação das escolas, principal órgão governamental que atinge diretamente o cotidiano dos jovens, com o fito de mitigar os entraves e aumentar as informações acerca dos benefícios de práticas saudáveis, consequentemente, o tornará um hábito desde cedo na população. Desse modo, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros vencerão o desafio de Zeus.