Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 17/10/2019
Na série “Visa-visa”, da Netflix, a personagem “Macarena” recorre ao esporte, para sentir-se viva e,assim, ter esperança para resistir à mais um dia de opressão social dentro da prisão Cruz do Sul. Apesar de ser uma ficção, na vida real, não é preciso um fator físico restritivo, como a cadeia, para sentir-se vulnerável à injustiça social, visto que, no Brasil, o preconceito somado a desigualdade é capaz de restringir os direitos dos cidadãos, os tornando invisíveis para com o resto da sociedade. Assim, tal como na série, o esporte é, indubitavelmente, um meio de resistência diária à intolerância, capaz, portanto, de reverter a situação dos que se encontram sem perspectiva para sobreviver, e, por conseguinte, garantir a cidadania plena para os que estão presos à situações de direitos renegados.
É imprescindível ressaltar que a desigualdade social historicamente perpetuada por preconceitos - ao negro, índio e marginalizados economicamente- é capaz de tornar cego o resto da sociedade para a resolução de tais problemas. Assim como ao que José Saramago descreveu em seu livro “Ensaio a cegueira”, há uma cegueira branca, a qual aos poucos contagia todos, e que os impede de reconhecer, questionar tal problema na sociedade, tornando os oprimidos invisíveis diante deles. Nesse contexto, o esporte surge como uma atividade de retirar a cegueira e dar visibilidade aos que são prejudicados pela iniquidade, já que, por meio dele, o atleta pode conquistar medalhas e obter a mídia necessária para expor a situação de que é preciso mudar, a fim de que todos desfrutem de sua cidadania.
Outrossim, a visibilidade é, seguramente, uma forma de resistência, a curto prazo, para sobreviver diariamente no meio da arbitrariedade do preconceito e, ao longo prazo, para minimizar a desigualdade e seus efeitos. De imediato, pois, é a visibilidade de ser reconhecido como cidadão, por ter tido a liberdade de treinar, que permite o ser transformar sua rotina- mudar seus hábitos para que possa cumprir os objetivos da atividade- e o manter entretido e disposto a lutar para sobreviver. A longo prazo, dessa forma, a luta pode ser ampliada- como já citado, pela conquistas de títulos importantes no mundo esportivo,-visto que, o atleta ao ter voz, poderá expor e apresentar soluções concretas para tal situação.
O esporte é, portanto, uma atividade, indiscutivelmente, profícua para a ampliação da cidadania, por meio da minimização a intolerância e injustiça social. Nesse âmbito, a fim de garantir que o exercício físico seja uma possibilidade de ascensão social a todos, o poder executivo deve maximizar as verbas destinadas a institutos que organizem as práticas esportivas, de tal modo, que estes possam ampliar a infraestrutura e a rede de professores, para ampliar o número de alunos que possam se inscrever para realizar tais atividades. Uma vez ampliado o número de matrículas, os alunos deixarão de estar presos a situações de extrema desigualdade e preconceito, logo, a democracia será para todos.