Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 23/10/2019

Para T.H.Marshall, em “Cidadania e Classe Social”, de 1950, a obra consiste na extensão dos direitos civis, políticos e sociais para toda a população de uma nação. Além disso, esses direitos devem ser regidos por uma Constituição. A Carta Magna que vigora no país, é a de 1988, a qual no artigo 6°, assegura um direito social, o lazer, saúde, trabalho, entre outros. Contudo, apesar do papel crucial da atividade esportiva nas transformações necessárias para a resolução da questões nacionais,-exclusão, preconceito, criminalidade- o governo e a população se mostram negligentes. Somado a isso, a indiferença quanto à questão esportiva leva à consolidação do cenário de desigualdade social, política e econômica brasileiro, bem como a ameaça à cidadania desses indivíduos.

Primeiramente, T.H. Marshall, identifica 3 tipos de direitos para a consolidação dos indivíduos enquanto cidadãos, entre eles o social, que garante à pessoa o mínimo de bem estar econômico e uma vida digna. Essa condição de vida imposta pelo autor, inclui o acesso ao esporte, que apesar disso, não é democratizado no Brasil. Dessa forma, muitos brasileiros não acessam o bem-estar causado pela prática de desportes, logo, comprometem a saúde pois não escapam do estresse contemporâneo, justamente pela falta de tempo e dinheiro. Ademais, o esporte é um elemento de afirmação da dignidade e identidade, assim como o tempo e infraestrutura não prejudica somente a saúde da pessoa, mas também a formação cidadã.

Em segundo plano, o desporte é um mecanismo de mobilidade, ascensão, inclusão por meio do profissionalismo, logo contribui para o meu econômico e de saúde mental. Junto a isso, são construídos valores por meio da prática, tais como a resiliência, respeito, coletividade, e ainda é utilizado como instrumento de protesto e de causas cidadãs. Tal como o protesto racial ocorrido em 1964, na Cidade do México, o esporte foi utilizado nós Jogos Olímpicos para fazer uma crítica à sociedade norte-americana racista. Dessa forma, por não ser democratizado, a legislação não ser respeitada e o Estado se mostrar incompetente, as classes baixas não participam de uma prática que forma os cidadãos.   Devido à necessidade de incluir todos os brasileiros à prática de esportes, respeitando assim a Constituição e os direitos impostos por Marshall, com o intuito de diminuir as desigualdades entre classes, cabe à União, responsável pelo bem-estar dos brasileiros, redirecionar as verbas para o Ministério do Esporte(ME), para que esse por sua vez, disponibilize equipamentos públicos de prática esportiva e realização de eventos, por meio da destinação do orçamento nacional ao ME, além da criação e execução de projetos esportivos, que desenvolvam conceitos como, cidadania e participação social.