Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 28/10/2019
No documentário “Paratodos”, é retratada a vida de atletas para-olímpicos brasileiros, que superam vários desafios através do esporte como ferramenta de ascensão social. Analogamente ao cenário contemporâneo, observa-se que o uso do esporte como ferramente de inclusão é imprescindível para a construção de um tecido social harmônico, porém, essa realidade ainda não é concreta na vida de muitos brasileiros marginalizados seja por questões físicas ou étnicas. Nesse sentido, diante de uma realidade instável e temerária que gera conflitos nas esferas de segurança pública e sociocultural, analisar seriamente as raízes e os frutos dessa problemática é medida que se faz imediata.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a marginalização dos jovens deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar social da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, muitos jovens, majoritariamente negros e de bairros periféricos, se rendem ao tráfico e a outros crimes por não haver oportunidades de inclusão social. A ausência de políticas públicas, que insiram as minorias no processo de construção ou de reinserção social, é uma afronta aos direitos mais fundamentais desses indivíduos abandonados à própria sorte. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postural estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar o desconhecimento da população, no que tange ao esporte sendo ferramenta não só de ascensão social mas como também de construir um futuro melhor, como promotora dessa realidade instável. O ex-jogador de futebol Ronaldo Luís Nazário dos Santos, conhecido como “Ronaldo Fenômeno”, é oriundo de família pobre e nascido em uma das periferias do Rio de Janeiro, foi descoberto muito cedo com um enorme talento e disputou sua primeira Copa do Mundo com apenas 17 anos de idade. Partindo dessa máxima, nota-se a importância de conhecer o papel do esporte, seja qual for a modalidade, como uma ferramente para incluir o indivíduo na sociedade e transformar suas perspectivas de vida, fazendo-o alcançar patamares inimagináveis, tornando o marginalizado em cidadão.
Dessarte, com intuito de concretizar, na realidade brasileira, o esporte sendo formador de cidadania, urge que, o Ministério do Esporte institua espaços públicos nas regiões carentes dos grandes espaços urbanos para a prática de esportes, guiados por profissionais da educação física, com intuito de incluir jovens marginalizados. Outra medida eficaz, por parte do Ministério da Educação (MEC), seria instituir palestras nas escolas públicas a respeito da função do social do esporte e seus benefícios não só para a Saúde individual como também para a construção de um futuro melhor para a coletividade.