Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 28/10/2019
Cidadania substantiva, de acordo com T.H. Marshall, consiste na extensão dos direitos civis, políticos e sociais para toda a população. Se, na Antiguidade Grega - cujo conceito de cidadania estava relacionado a uma minoria -, o desporto, por meio das Olimpíadas, já detinha grande importância socioeconômica, hoje, no Brasil da Constituição Cidadã - segundo a qual todos são iguais perante a lei -, ele possui papel fundamental. No entanto, observa-se, no país, um potencial subutilizado do esporte como ferramenta de promoção da cidadania.
Primeiramente, deve-se destacar os benefícios das atividades esportivas na prática cidadã. O esporte é um mecanismo de mobilidade social e ascensão, por meio da profissionalização, além de ter suma importância para a inclusão e valorização das diversidades, como no caso do paradesporto. Sobre isso, o documentário brasileiro “Paratodos” é assertivo ao mostrar, na trajetória dos atletas paralímpicos, as oportunidades que o esporte gerou na vida dessas pessoas. É fato, portanto, que além de valores como respeito, resiliência e coletividade, a prática de atividades físicas tem grande valor inclusivo, o qual é intrínseco à Constituição brasileira de 1988.
Em uma segunda análise, paradoxalmente, percebe-se a subutilização da prática desportiva como estratégia de valorização socioeconômica nacional, especialmente pela falta de investimentos e infraestrutura. Exemplo disso são os alarmantes dados divulgados pelo Inep, que indicam que apenas uma minoria - em torno de 25% - das escolas públicas do Ensino Fundamental possuem quadra de esportes. Esse quadro, além de ceifar precocemente potenciais talentos de crianças e jovens, reflete na falta de oportunidades e na perpetuação de desigualdades, prejuízos que vão contra a ideia da Cidadania Substantiva de T.H. Marshall.
Em suma, é imperativo que se ampliem os esforços para potencializar o desporto como ferramenta de promoção da cidadania. Isso pode ser feito por meio do redirecionamento mais expressivo de verbas para o Ministério do Esporte, o qual deve, em parceria com o MEC, investir em infraestrutura adequada para a prática esportiva nas escolas públicas, com o intuito de criar uma cultura esportiva escolar desde o Ensino Básico, de modo a gerar oportunidades de caminhos profissionais para os jovens. Assim, garante-se a extensão do direito a educação e ao lazer, além da promoção da cidadania e da igualdade social.