Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 21/01/2020

Consoante ao pensamento do jornalista Leandro Flores, de que o esporte é a ferramenta de inserção social mais eficaz, visto que o resultado é imediato e as transformações são surpreendentes, o governo federal vem apoiando iniciativas que permitem jovens de conhecer o esporte como meio de educação e um diferencial na formação do indivíduo. Todavia, inúmeros governantes desrespeitam essa ideia e deixam exposta uma cultura que ignora as noções básicas de cidadania. Dessa forma, analisar os aspectos sociais e políticos é fundamental para enfrentar esse problema no país.

De acordo com Durkheim, a harmonia que assegura a existência e a continuidade de uma sociedade, só se torna possível quando os indivíduos são capazes de assimilarem valores, hábitos e costumes próprio do grupo social a qual pertencem. Nesse sentido, o desporto sempre deveria ser utilizado como instrumento de inserção social e fomento à cidadania. Segundo dados de uma pesquisa do Centro de Práticas Esportivas da USP (Cepeusp), projetos sociais esportivos mudam o autoconceito de crianças, uma vez que a prática desportiva abrange a obtenção de habilidades sociais e transmissão de valores.  Assim sendo, os benefícios que as atividades físicas trazem aos jovens fazem com que o esporte tenha um significativo papel de integração perante a sociedade.

Não obstante, observa-se que o maior obstáculo da inclusão social promovida pelo esporte é uma legislação que nem sempre é colocada em prática. Conforme a Constituição Federal, em seu artigo 217, o esporte é um direito dos cidadãos e deve ser promovido pelo Estado. No entanto, essa legislação ainda não motivou os estados brasileiros a investir mais na área, já que o Brasil é carente de instalações adequadas para a prática desportiva. Além disso, não existe políticas públicas para a utilização das instalações esportivas construídas para eventos esportivos, como os Jogos do Pan-Americanos e as Olimpíadas do Rio de Janeiro. Por conseguinte, poucos programas sociais voltados ao esporte impede a construção de uma nação mais cidadã.

Fica claro, portanto, a necessidade em adotar todas as medidas necessárias para proporcionar uma mudança de comportamento em relação ao uso do esporte como promoção da cidadania. Logo, cabe ao Ministério do Esporte elaborar novos projetos por meio de programas gratuitos para as famílias de baixa renda, capazes de fortalecer as ações de estímulo à prática desportiva para permitir uma elevada sociabilização entre os envolvidos. Ademais, compete aos Estados democratizar o acesso dos habitantes ao esporte, recorrendo a realização de atividades físicas nos equipamentos das escolas públicas nos fins de semana e o aproveitamento de infraestruturas esportivas, a fim de melhorar o convívio social nas comunidades mais carentes para que a cidadania seja exercida de forma ativa.