Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 02/03/2020

Na Grécia antiga, os jogos olímpicos eram eventos por meio dos quais a integração harmônica dos indivíduos era realizada e a manutenção da boa forma física era estimulada. Esses eventos permanecem vivos na idade contemporânea, o que denota a relevância atemporal do esporte. No Brasil, apesar dos benefícios promovidos por diferentes atividades corporais na ratificação da cidadania, esse bem não tem sido contemplado de forma homogênea pela população.

Segundo Aristóteles, o bem estar comum é fruto da ação conjunta dos indivíduos que ocupam os espaços de convivência e o empenho de virtudes individuais é imprescindível para tal fim. Esse conceito encontra-se no exercício da cidadania, que por meio do esporte alcança diferentes esferas sociais. Isso decorre  do fato de que nele, são ensinados aos seus praticantes valores como o foco, a disciplina, o respeito e o trabalho em equipe. Estes por sua vez, moldam o caráter do indivíduo em formação e o torna, por consequência, menos suscetível ao envolvimento com o crime e mais sensível aos problemas sociais que o circundam, e por isso, agente importante na modificação de uma realidade de pobreza e violência.

Apesar disso, a ineficácia de políticas públicas de infraestrutura e incentivo do esporte tem inviabilizado a difusão dessa prática por toda a nação. Isso é observado no baixo contingente de escolas com quadras de esporte na rede pública, que segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, representou cerca de 30% das escolas em 2009. A ausência dessas estruturas nestes locais impossibilita o ensino da ação desportiva e de seus valores, o que fomenta a manutenção de uma sociedade pouco engajada com ela, que segundo dados de uma pesquisa realizada pelo IBGE, contempla cerca de 60% da população brasileira. Dessa forma, a cidadania é dificultada, na proporção em que o cidadão é inibido do direito ao acesso irrestrito ao esporte, previsto na Constituição de 1988 como dever do Estado.

Diante disso, cabe ao Ministério da Cidadania em parceria com os estados construir quadras de esporte em escolas públicas e  ampliar o número de academias públicas, por meio da concessão de investimentos e com o fim de democratizar o acesso aos diferentes exercícios físicos e permitir o aprendizado dos valores inerentes a eles. Às Secretarias municipais de esportes, compete a realização de palestras em espaços midiáticos por profissionais formados em educação física, pautadas na transmissão da importância do esporte não só na manutenção da saúde, como também do seu papel como instrumento de ratificação dos direitos, para que assim, o esporte viabilize a construção do cidadão consciente e que tenha como o fim de suas ações o bem estar comum.