Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 04/03/2020
Nas Olimpíadas de 1968, Tommie Smith e John Carlos, dois atletas negros americanos, subiram ao pódio para receber as medalhas de vencedores. Nesse momento, os dois levantaram um dos braços com o punho cerrado e abaixaram a cabeça simbolizando o gesto dos panteras negras, movimento nascido para combater o racismo e empoderar os negros daquele país. Isso mostrou ao mundo que o esporte é palco para promover a cidadania entre as pessoas desfavorecidas. Da mesma forma, no Brasil, movimentos similares a esse das olimpíadas acontece nos esportes para aumentar a representatividade e dar voz às pessoas marginalizadas. Ao mesmo tempo, o Brasil carece de diferentes perfis de esportistas.
Como dito, o esporte serve como palco para dar voz e aumentar a representatividade das pessoas marginalizadas no Brasil. Um exemplo disso foi Sócrates, jogador de futebol e ídolo da torcida Corintiana. Como ele jogava por um time popular da cultura marginalizada, Sócrates lutava contra a repressão da ditadura militar e pedia eleições direta. Dessa maneira, o símbolo corintiano dava voz ás uma parte dos segregados, os tornando audíveis e representados.
Se por um lado, uma parte dos marginalizados são representados por atletas como Sócrates, por outro lado, a outra parte permanece sem muitos modelos. Para ilustrar isso, basta pensar que Sócrates era um homem e sem deficiências, ou seja, embora ele representasse uma classe segregada, ainda falta muita representatividade para outras classes. Para evidenciar isso, basta analisar a pesquisa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que diz que nos esportes, a prática por mulheres no país é 40% inferior aos homens. Ou também ligar a televisão e não ver algum paraesporte televisionado. Do mesmo modo, essas classes sofrem fora do âmbito esportivo, porém, se tivessem mais espaço nesse campo, teriam mais voz e representatividade, democratizando assim, a democracia.
Em suma, o esporte é palco para os cidadãos exercerem sua cidadania por meio de representantes, que lhe darão voz e força. Porem, no Brasil, o perfil dos atletas é limitado em sua maioria por homens não deficientes, diminuindo os porta vozes das mulheres e deficientes. Sendo assim, é necessário que o governo em parceria com as redes de televisão estabeleçam uma cota para jogos femininos e paraesportes para serem transmitidos, a fim de dar espaço a esses grupos e tornar as suas vozes audíveis e seus interesses representados. Outra solução seria mostrar às pessoas, por meio de propagandas veiculadas na tv, que o esporte praticado por outras classes merecem atenção e que também podem ser atletas excelentes se tiverem isentivos, e assim comercializar mais essa modalidade. Desta forma, a democracia seria democratizada no Brasil.