Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 14/03/2020
Em 2016, a atleta Rafaela Silva expôs em uma entrevista para o jornal “BBC News” a aplicabilidade do atividade física como mecanismo de transformação social no Brasil. Contudo, a omissão política em ampliar o conceito de cidadania, mediante o esporte, ainda gera prejuízos ao coletivo e, decerto, demanda intervenções. Por conseguinte, para tal análise, é fulcral elucubrar o descaso nas regiões periféricas, bem como a falta de consciência coletiva sobre o tema.
Em primeiro lugar, nota-se a decrepitude moral ao enaltecer um construto vigente de escassa compactuação com as causas sociais. Nesse ínterim, a obra " Os Sertões", de Euclides da Cunha, denuncia o abandono das regiões interioranas pouco supridas de assistência governamental acerca de educação e lazer. Dessa feita, nota-se a ausência do Poder público em garantir uma estrutura adequada à prática esportiva nas comunidades- como construção de quadras de futebol e equipamentos lúdicos- , restringindo o conceito de cidadania pela exclusão social. Dessa forma, elucida-se a necessidade e fomentar o impulso às atividades físicas nas áreas periféricas, a fim de evitar o descaso público nessas regiões.
Outrossim, é imperioso perceber a falta de consciência coletiva. Diante disso, cabe ressaltar o predomínio das ciências exatas, em detrimento do ensino relacionado ao esporte- como o descaso dado às aulas de Educação física- , o qual restringe a construção cidadã e identitária do aluno. Sob esse efeito, aplicar a Educação Libertadora, proposta pelo pedagogo Paulo Freire, mostra-se possível, porquanto objetiva estimular o aluno à educação crítica a serviço da transformação social e inclusão à cidadania, através de, por exemplo, a aplicabilidade do esporte ao público juvenil.
Dessarte, reafirmam-se os prejuízos sociais ocasionados pela inabilidade política em efetivar o esporte como mecanismo promotor da cidadania. Logo, o Governo Federal deve realizar melhorias estruturais nas regiões periféricas, mediante acordos com empresas privadas, as quais proporcionem uma infra-estrutura adequada e segura à prática esportiva, a fim de minimizar evitar o descaso nas comunidades. Ademais, as Secretarias Municipais devem propor encontros pedagógicos nas escolas, por meio de semanas de extensão, nas quais profissionais do esporte, como a atleta Rafaela Silva, discorram sobre a priorização do esporte para assegurar os direitos do cidadão, no intuito de efetivar a Educação Libertadora nas escolas. Somente assim, observa-se-á o esporte como mecanismo transformação social e acesso à cidadania no Brasil.