Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 13/04/2020
As famosas “Peladas” são partidas recreativas de futebol realizadas em qualquer espaço que garanta a sua realização, sendo, muitas vezes, realizada sem a preocupação com regras, mas com o consenso dos jogadores. Nesse contexto, o esporte, em um âmbito social, tem uma interessante característica: a união de diversos setores sociais, colocando as diferenças de lados, o que o torna um importante fator para o exercício da cidadania. Todavia, com a atual elitização do esporte e a falta de incentivos governamentais, fazem o esporte e a cidadania se situarem em planos diferentes, sendo necessário a mudança desse errôneo paradigma da sociedade brasileira.
Constata-se, a princípio, que a hodierna elitização do ambiente esportivo transfigura uma sociedade inexistente de cidadania. Sob esse viés, no Governo Vargas, o esporte, em especial o futebol, era visto como algo pertencente a classes com poder aquisitivo grande, porém, o presidente, ao tentar construir uma identidade e promover a integração social, tornou o futebol mais acessível a todos. No entanto, com o encarecimento do mundo esportivo, vê-se que o ideário tanto prezado por Vargas está sendo desconstruído, de modo que as modalidades esportivas foram transformadas em barreiras que segregam ricos e pobres, visto que, por exemplo, o ingresso para assistir jogos de futebol, no Brasil, é o mais caro no mundo. Desse modo, a cidadania regressa-se ao ponto de ilusão.
Outrossim, somado ao supracitado, a ausência de subsídio estatal em relação ao incentivo do esporte atua como fator de exclusão social e impede a cidadania. Nesse sentido, o esporte não tem toda a atenção do governo brasileiro, tendo importância, conforme a história do Brasil, somente em situações como tentativa de adesão e manipulação da opinião pública sobre a política vigente. Isso foi visto, por exemplo, durante a Ditadura Militar, período entre 1964 a 1985, que usou o futebol como instrumento político de alienação quando a seleção brasileira ganhou um campeonato mundial. Dessa maneira, enquanto o esporte for visto como uma ferramenta, a cidadania e a inclusão jamais serão vistas.
Nessa perspectiva, portanto, é mister que os desafios permeados entre o esporte e a cidadania sejam obliterados, para melhor funcionamento da sociedade. Para isso, cabe ao Ministério dos Esporte diminuir a elitização do ambiente esportivo, por meio da inclusão de todos nas camadas esportivas, mediante a criação de carteiras denominadas " Democratiza Esporte" que fará ingressos esportivos ficarem mais acessíveis a todos as classes da sociedade, a fim de atenuar o problema visto. Ademais, o Estado deve, ainda, estimular a importância do esporte para a adesão da cidadania, por meio de investimentos em áreas esportivas e campeonatos, que toda a população poderá participar, com o intuito de acabar com a segregação social e criar uma sincronia entre esporte e cidadania.