Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 25/04/2020

Ronaldo Fenômeno viveu uma infância pobre na periferia do Rio de Janeiro, mas foi descoberto muito cedo e disputou sua primeira Copa do Mundo aos 17 anos. Dessa maneira, é evidente que o esporte é capaz de construir a cidadania no Brasil. Entretanto, casos como o do ex-futebolista são raros na seara atual, visto que há baixo incentivo ao esporte por parte do Estado e infraestrutura precária nas escolas.

Em primeiro plano, a negligência estatal inviabiliza a inclusão social. A esse respeito, dados publicados pelo Ministério do Esporte apontaram que houve cortes no programa Bolsa Atleta no fim de 2018 e a redução dos patrocínios de estatais no início de 2019. Nesse contexto, é notório que essa redução do orçamento, o qual já não era o suficiente para cobrir todas as necessidades, impossibilita todos os atletas de comunidades carentes adquirirem uma qualidade de vida melhor e de ascenderem-se social e profissionalmente, como aconteceu com o Fenômeno. Dessa forma, enquanto o incentivo ao esporte não for a regra, a igualdade social será a exceção.

De outra parte, a ausência de verbas destinadas ao suporte estrutural nas instituições públicas de ensino corroboram para com a problemática atual. Nessa conjuntura, segundo o Censo Escolar de 2015, 6 em cada 10 unidades públicas de educação básica do país não possuem quadra. Ocorre que o esporte é uma ferramenta valiosa para manter crianças e adolescentes, principalmente as que se encontram em situação de vulnerabilidade, longe das drogas e da evasão escolar. À  vista disso, a carência de locais apropriados para a realização das atividades atléticas revelam um caminho na contramão para garantir o desenvolvimento pessoal e acadêmico dos jovens que estão à margem da sociedade. Assim não é razoável que a falta de orçamentos seja obstáculo para o bem-estar do indivíduo.

Urge, portanto, que o descaso com o esporte deixe de ser realidade no Brasil. Para que isso se concretize, o Ministério da Educação deve oferecer mais bolsas de estudos às pessoas que já praticam esporte, por meio do financiamento do Poder Público, atrelando a prática esportiva à vida acadêmica como um todo, a fim de formar atletas ainda mais completos como cidadãos. Ademais, o Governo precisa destinar verbas para construção de quadras e outras áreas de lazer esportivo, para que mais indivíduos sejam transformados pelo esporte e consigam desempenhar ainda melhor as questões relacionadas à cidadania. Dessarte, casos como o do ex-atleta Ronaldo serão frequentemente notificados no Brasil.