Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 20/04/2020

Aida dos Santos, atleta negra e originária de uma favela em Niterói, foi responsável pelo recorde brasileiro no atletismo que durou 32 anos. Nesse contexto, haja vista a visualidade de tal figura emblemática em relação às minorias sociais, fica nítido que o esporte é capaz de construir a cidadania no Brasil. Desse modo, dois aspectos se destacam: a integração social gerada pelo esporte e a necessidade de maior investimento estatal neste.

De início, cabe elucidar porquê a prática esportiva integra a cidadania à sociedade. Sob esse ângulo, consoante Émile Durkheim, a solidariedade mecânica é baseada em relações de afetividade e isso provoca coesão social. Em meio a isso, verifica-se tal solidariedade no esporte, visto que ele promove não só o sentimento de equipe, mas também a visibilidade aos praticantes, a qual, por sua vez, favorece a tolerância e a harmonia nas interações sociais, fatores relevantes para a cidadania. Em síntese, com mais reconhecimento e respeito, a condição de cidadão se intensifica.

Por outro lado, embora possua o benefício supracitado, o esporte no Brasil não é aproveitado pela totalidade demográfica. Nesse sentido, existe uma lacuna governamental no incentivo ao exercício esportivo e, por isso, para seguir a carreira de esportes é preciso, muitas vezes, desistir dos objetivos acadêmicos, já que falta integração entre esses modos de vida. Em função disso, segundo o site G1, menos de 40% dos brasileiros se interessam pela atividade em questão, ou seja, o Brasil é famoso pelo futebol, mas as demais modalidades são sufocadas.

Portanto, observa-se que é imprescindível a difusão dos esportes para ser possível usufruir de seu benefício na cidadania. Por conseguinte, é imperioso que o Ministério da Educação suscite a prática esportiva como meio de chegar às universidades, por meio da concessão de bolsas de estudo para os indivíduos interessados na carreira esportiva - assegurando, finalmente, a vida acadêmica e o esporte -, a fim de formar atletas ainda mais completos como cidadãos. Assim, histórias como a de Aida dos Santos seriam mais comuns no Brasil.