Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 21/05/2020
A Constituição Federal, promulgada em 1988, assegura, como dever do Estado, o incentivo à práticas desportivas formais e não-formais. Entretanto, o precário investimento em políticas de inclusões esportivas e a elitização das atividades físicas impedem que a parcela da sociedade marginalizada usufruam desse direito constitucional. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias na atuação do esporte como ferramenta de inclusão e de molde social para que esse se torne um mecanismo de cidadania na sociedade brasileira.
Desde a chegada do futebol ao Brasil, em 1894, o país ficou conhecido mundialmente como “a nação do futebol”, destacando-se pela conquista do pentacampeonato mundial. No entanto, o investimento acerca do esporte no país não faz jus a essa nomeação. Em 2020, por exemplo, houve corte de 50% do orçamento esportivo federal, além da ausência de um ministério próprio. Por consequência, diversas áreas socioeconômicas relacionadas ao esporte foram afetadas. Dessa forma, nota-se a infame atuação do Estado acerca do incentivo ao esporte e na tentativa de tornar viável aos cidadãos mais carentes, em vista que esses dependem da construção de centros poliesportivos ou até mesmo de bolsas de estudos.
Ademais, o esporte no Brasil é, sem dúvidas, visto como meio de refúgio dos problemas sociais e estruturais do país. Porém, a elitização das práticas desportivas inviabiliza o acesso às comunidades periféricas, que estão, muitas vezes, buscando o esporte como um método de lazer ou para uma melhora socioeconômica. A elitização no meio esportivo se mostra presente também no âmbito do entretenimento, em vista dos valores abusivos de ingressos, por exemplo. Em virtude de tal fato, o esporte se mostra, cada vez mais, um elemento exclusivo da elite. A exemplo disso, segundo o INEP, em 2009, apenas 27% das escolas públicas de ensino fundamental possuem quadra de esporte. Logo, a falta de infraestrutura no esporte por parte do Estado é, incontestavelmente, um desafio. Assim sendo, um problema referente ao esporte, à educação, ao lazer e à inclusão dos marginalizados por meio das atividades desportivas.
Em suma, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a problemática. O Estado e a Secretaria Especial do Esporte devem, de forma concomitante, investir na reformulação das políticas de inclusões sociais por meio do esporte, criando ginásios poliesportivos e incentivando à moldar os atletas do futuro. Dessa maneira, será possível o esporte se tornar uma grande ferramenta que, de fato, seja inclusiva e de caráter moldador social para os marginais, possibilitando à integração da cidadania para esses. Só então seremos uma sociedade que promove o esporte como deve ser feito, assim como sugere a Constituição Federal.