Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 29/05/2020
A obra " A República", Platão demonstrou uma alegoria de homens presos em uma caverna, os quais enxergavam apenas as sombras projetadas, ou seja, não possuíam uma visão objetiva dos fatos. Nessa lógica, é importante analisar a questão do esporte e cidadania na sociedade brasileira, com o intuito de o tecido social não ecoar o mito da caverna de Platão sobre tal assunto. Essa situação, desse modo, evidencia a não consonância perante os direitos constitucionais e o cenário exposto, além de reverberar a falta de equidade social como uma ferramenta para inviabilizar o acesso de todos ao esporte.
Em princípio, o filósofo Henrique de Lima, no Enigma da Modernidade, elucidou que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. Nesse sentido, há um paralelo entre a Constituição de 1988, a qual estabelece que todos os cidadãos possuem o direito ao acesso a práticas desportivas, e a realidade, a qual demonstra pouca ação do Estado para fomentar tal direito, seja pelo baixo investimento aos esportes olímpicos, como demonstra o noticiário midiático, seja pelo estado de precariedade das quadras poliesportivas públicas. Dessa maneira, percebe-se que há uma falta de consonância ante os direitos constitucionais com a realidade factual.
Outrossim, no documentário ‘‘A Globalização, vista do lado de cá", Milton Santos argumenta que a globalização apresenta-se como uma fábula, uma vez que os mais pobres vivem aquém do desenvolvimento econômico, em uma situação de vulnerabilidade social. À vista disso, nota-se que a questão, da cidadania e esporte no seio social brasileiro, é inserida em um contexto, no qual as benesses econômicas não são partilhadas para todos. Dessa maneira, pode-se perceber que a falta de equidade social colabora para que o acesso ao esporte não seja uma realidade para todos, tendo em vista que outros problemas sociais como o acesso à saúde e à educação, por exemplo, venham sobrepujar o acesso ao esporte.
Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, é fundamental que o Ministério da Cidadania desenvolva programas sociais, por meio de verbas governamentais, com a finalidade de que o Esporte seja mais inclusivo. Ademais, é fundamental que esses programas sociais contenham medidas que visem reformar as quadras poliesportivas, realizar grupos de incetivo aos esportes em bairros mais carentes, além de destinar auxílios financeiros para jovens carentes que querem se tornar atletas profissionais. Dessa forma, resolver-se-á a questão do esporte e cidadania na sociedade brasileira.